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Por que essa noticia importa
Esse tipo de conteudo ajuda operadores, empreendedores e gestores a entenderem melhor as mudancas do setor, identificarem oportunidades e acompanharem tendencias que podem impactar a operacao.
Alô, colegas de humanas, esse momento é nosso! Finalmente os refrescos! Pensei em começar o texto assim, mas também senti vontade de dizer que os humilhados finalmente serão exaltados. Por fim, lembrei da ideia de “ajudar o povo de humanas”, que é meme e nome de perfil de humor, e cá estamos.
Tudo isso para dizer que uma pesquisa que acaba de ser divulgada mostra um efeito curioso relacionado à proliferação das IAs: profissionais de RH passaram a valorizar cada vez mais as pessoas com formação em humanidades.
Calma, que explico já. Primeiro deixa eu contar da pesquisa.
O estudo, divulgado há duas semanas, se chama The AI Workforce Pulse: The Adaptability Imperative (algo como “O termômetro da força de trabalho na era da IA: o imperativo da adaptabilidade”). Foi feito em conjunto pela Cognizant com a Pearson e ouviu 750 profissionais de RH em nível de diretoria ou acima, em empresas com pelo menos mil funcionários, nos Estados Unidos, Reino Unido e Índia.
Um dos achados mais interessantes: 67% dos profissionais de RH dizem valorizar mais diplomas de humanidades do que antes por causa dos avanços da IA. Esse número sobe para 72% no Reino Unido.
Continua após a publicidadeDe que graduações estamos falando aqui? A pesquisa menciona “liberal arts”, que a gente pode traduzir como “humanidades”, mas não destrincha os cursos. Então, busquei o que cada país participante considera como parte dessa área de conhecimento e encontrei como denominadores comuns história, filosofia, letras, sociologia, psicologia, geografia e comunicação.
Mas por que humanas num mundo tão high-tech?
O relatório reconhece que, por quase uma década, a contratação em escala pendeu para credenciais STEM, acrônimo para ciência, tecnologia, engenharia e matemática – ou seja, a galera de exatas. Só que, por causa das inteligências artificiais, isso tem mudado.
A lógica é que, conforme a IA absorve mais da camada de execução técnica, incluindo tarefas que antes exigiam treinamento STEM significativo, as capacidades com maior prêmio humano passam a ser aquelas que a IA não replica com facilidade: julgamento, comunicação, raciocínio ético e síntese criativa.
Continua após a publicidadeQuem já fez algum curso ou viu palestra minha deve se lembrar que eu sempre falo do papel cada vez mais central da comunicação, então essa pesquisa fez eu me sentir validado.
O texto liga a valorização de humanas ao dado de problem-finding: quando a IA cuida da execução, a atuação do nosso cérebro se desloca para enquadrar problemas, fazer perguntas melhores e reconhecer desafios antes que virem crises, capacidades que se desenvolvem por meio de educação ampla e humanística.
Humanas, sim. Mas que saiba usar IA, entendeu?
É importante deixar bem claro o seguinte: não basta ter o diploma de humanas para entrar no time que esses profissionais de RH consideram como mais interessante. Tem de saber usar IA. Quer dizer, combinar o olhar típico da nossa área com as aplicações da tecnologia no cotidiano.
Continua após a publicidadeO perfil que o estudo descreve como valioso é o graduado que consegue transitar entre domínios, lidar com ambiguidades (e saber dar conta delas), comunicar com clareza para públicos não especializados e reconhecer quando uma resposta tecnicamente correta está funcionalmente errada. Quem já trabalhou como jornalista tira de letra isso aqui, é ou não é? Desculpa, esse texto ficou mais entusiasmado do que eu planejava, mas é que durante muito tempo a formação em humanas foi tratada como patinho feio, como algo menor, que não resolve problemas práticos (o que está longe de ser verdade). Então, ver que o jogo começa a virar, ou a pelo menos ficar mais equilibrado, realmente merece um toque extra de euforia.
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Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda
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Fonte base da analise: VEJA. Atualizacao da fonte em 07/07/2026 06:00.