O portal da I9vando acompanhou uma nova atualizacao relevante em diariodotransporte.com.br para manter visitantes e clientes informados sobre o mercado de mobilidade urbana.
Por que essa noticia importa
Esse tipo de conteudo ajuda operadores, empreendedores e gestores a entenderem melhor as mudancas do setor, identificarem oportunidades e acompanharem tendencias que podem impactar a operacao.
Levantamento do Diário do Transporte compara remunerações em 12 países e mostra que, mesmo depois de considerado o efeito dos preços mais baixos no Brasil, rendimento da categoria permanece abaixo dos demais mercados analisados. Liana Variani diz que realidades de empresas devem ser compreendidas
ADAMO BAZANI
O Brasil apresenta a menor remuneração para motoristas de ônibus entre os 12 países analisados pelo Diário do Transporte, tanto na conversão direta dos salários para reais quanto em um cálculo simplificado que considera as diferenças no custo de vida.
A Austrália aparece na primeira posição em poder de compra estimado, seguida por Estados Unidos, Suíça e Alemanha. Portugal e Chile são os países que mais se aproximam da realidade brasileira, mas ainda apresentam remunerações ajustadas superiores.
Vale ressaltar que os valores são em média, havendo bastante variação entre regiões. Por exemplo, na região de Sorocaba, no interior de São Paulo, e no ABC Paulista (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), na região metropolitana de São Paulo, os valores estão praticamente o dobro da média.
O resultado foi obtido por meio do cruzamento de estatísticas trabalhistas, convenções coletivas, serviços governamentais de emprego, plataformas salariais e índices internacionais de preços. Como não existe um ranking mundial padronizado de salários de motoristas de ônibus, cada fonte possui características e limitações próprias, detalhadas ao longo da reportagem.
A advogada especializada em direito empresarial e risco jurídico, Liana Variani, faz ressalvas importantes sobre eventuais conclusões.
“O Brasil realmente precisa melhorar a remuneração e condições de trabalho dos motoristas e demais funcionários do setor de ônibus. Mas não dá para culpar as empresas de transportes. Seria simplificar. Vamos além: a carga tributária sobre o transporte, mesmo com evoluções ao longo do ano de desonerações e incentivos, é ainda alta demais. Fora o custo de operação. Em países, por exemplo, com melhor infraestrutura, gastos com manutenção, consertos, desgastes prematuros de peças e pneus e com matriz energética, como diesel e eletricidade, acabam sendo menores quando se faz a régua das condições de operação” – explica Liana Variani ao editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani.
Para a advogada, o quadro revela uma ironia.
“O Brasil é um dos últimos colocados nos salários em relação ao custo de vida e, ao mesmo tempo, a mão-de-obra está entre o principal fator de custo de uma empresa de ônibus. Culpar as empresas é tentar atribuir a culpa só a um lado, e às vezes, quem junto com os trabalhadores é vítima de um sistema que necessita de uma análise mais ampla” – disse
Tabela 1 – Salários, conversões e custo de vida
País Salário mensal em moeda local Equivalente em reais Índice de custo de vida Remuneração ajustada Austrália AUD 7.778 R$ 27.613 71,4 R$ 12.801 Estados Unidos US$ 4.787 R$ 24.213 69,7 R$ 11.499 Suíça CHF 5.723 R$ 35.737 109,8 R$ 10.773 Alemanha € 3.733 R$ 21.687 68,0 R$ 10.556 Reino Unido – experiente £ 3.083 R$ 20.933 68,2 R$ 10.160 Canadá CAD 4.333 R$ 15.611 61,3 R$ 8.429 Holanda € 2.400 R$ 13.943 64,8 R$ 7.122 Reino Unido – iniciante £ 2.083 R$ 14.144 68,2 R$ 6.865 Espanha € 1.800 R$ 10.457 51,6 R$ 6.708 França € 1.936 R$ 11.247 63,7 R$ 5.844 Portugal € 1.033 R$ 6.001 47,7 R$ 4.164 Chile CLP 787.142 R$ 4.288 39,1 R$ 3.630 Brasil R$ 2.940 R$ 2.940 33,1 R$ 2.940Conversões realizadas pelo Diário do Transporte com base em uma única data cambial. Valores arredondados.
Tabela 2 – Quanto a remuneração ajustada de cada país supera a média brasileira
Posição País Remuneração ajustada ao custo de vida Relação com o Brasil 1 Austrália R$ 12.801 4,35 vezes 2 Estados Unidos R$ 11.499 3,91 vezes 3 Suíça R$ 10.773 3,66 vezes 4 Alemanha R$ 10.556 3,59 vezes 5 Reino Unido – profissional experiente R$ 10.160 3,46 vezes 6 Canadá R$ 8.429 2,87 vezes 7 Holanda R$ 7.122 2,42 vezes 8 Reino Unido – profissional iniciante R$ 6.865 2,34 vezes 9 Espanha R$ 6.708 2,28 vezes 10 França R$ 5.844 1,99 vez 11 Portugal R$ 4.164 1,42 vez 12 Chile R$ 3.630 1,23 vez 13 Brasil R$ 2.940 ReferênciaO Reino Unido aparece em duas linhas porque o serviço oficial de carreiras do governo britânico apresenta uma faixa entre profissionais iniciantes e experientes, e não uma média ou mediana nacional.
A remuneração ajustada é uma equivalência matemática elaborada pelo Diário do Transporte. Não representa salário líquido, paridade oficial do poder de compra nem valor que um trabalhador estrangeiro poderia transferir ou gastar no Brasil.
A fórmula utilizada foi:
Salário convertido para reais × índice de custo de vida do Brasil ÷ índice de custo de vida do país analisado.
Os índices foram obtidos no levantamento Cost of Living Index by Country 2026 Mid-Year, da plataforma Numbeo. A base reúne informações sobre alimentação, transporte, restaurantes, serviços e outros produtos de consumo.
O Numbeo é uma plataforma privada e colaborativa, e não um órgão oficial de estatística. Além disso, o índice geral utilizado não inclui aluguel, que é calculado separadamente.
Brasil permanece na última posição da amostra
A média brasileira considerada no levantamento é de R$ 2.940,15 mensais para motoristas de ônibus urbanos contratados formalmente.
O valor foi calculado pelo Portal Salário a partir de registros do Caged, eSocial e Empregador Web, sistemas vinculados ao Ministério do Trabalho e Emprego.
A base considera o salário contratual informado nos registros trabalhistas. Não inclui horas extras, adicional noturno, gratificações, vale-alimentação, participação nos resultados ou outros benefícios.
Embora o Brasil tenha o menor índice de custo de vida entre os países analisados, essa diferença não é suficiente para compensar a distância salarial.
Na comparação nominal, a remuneração australiana equivale a aproximadamente 9,4 vezes a média brasileira. Depois do ajuste simplificado pelo custo de vida, a diferença cai, mas ainda corresponde a 4,35 vezes.
No caso da Suíça, o salário convertido é aproximadamente 12,2 vezes maior que o brasileiro. Com o ajuste, a diferença diminui para 3,66 vezes.
Mesmo o Chile, país mais próximo do Brasil no ranking, apresenta equivalência ajustada de aproximadamente R$ 3.630, valor cerca de 23% superior à média brasileira considerada.
“Há uma questão importante também. Quem paga essa conta? O usuário do transporte coletivo, que, em média, também tem uma renda mais baixa. Somente as fontes de financiamento pelas tarifas causa essas injustiças: a passagem é cara para o usuário, não cobre todos os custos, impede planos de remuneração e reconhecimento melhores aos funcionários. As passagens também são custo de vida, os salários são baixos e o custo de vida é alto. Os preços das passagens de transportes também impactam nos preços de produtos porque é custo de movimentação de mão-de-obra de toda a economia. Viram a bola de neve?” – comentou
Tabela 3 – Salários, conversões e custo de vida
País Salário mensal em moeda local Equivalente em reais Índice de custo de vida Remuneração ajustada Austrália AUD 7.778 R$ 27.613 71,4 R$ 12.801 Estados Unidos US$ 4.787 R$ 24.213 69,7 R$ 11.499 Suíça CHF 5.723 R$ 35.737 109,8 R$ 10.773 Alemanha € 3.733 R$ 21.687 68,0 R$ 10.556 Reino Unido – experiente £ 3.083 R$ 20.933 68,2 R$ 10.160 Canadá CAD 4.333 R$ 15.611 61,3 R$ 8.429 Holanda € 2.400 R$ 13.943 64,8 R$ 7.122 Reino Unido – iniciante £ 2.083 R$ 14.144 68,2 R$ 6.865 Espanha € 1.800 R$ 10.457 51,6 R$ 6.708 França € 1.936 R$ 11.247 63,7 R$ 5.844 Portugal € 1.033 R$ 6.001 47,7 R$ 4.164 Chile CLP 787.142 R$ 4.288 39,1 R$ 3.630 Brasil R$ 2.940 R$ 2.940 33,1 R$ 2.940Conversões realizadas pelo Diário do Transporte com base em uma única data cambial. Valores arredondados.
“Também há de se ponderar que o custo de vida do Brasil é proporcionalmente alto sobre os salários. Logo, deve-se entender que em relação ao custo de vida, os salários dos motoristas no Brasil são baixos em relação ao mundo, mas o Brasil tem um custo de vida proporcional alto também. Logo, invertendo a lógica, se o custo de vida caísse, o poder do salário poderia aumentar mesmo numericamente permanecendo o mesmo” – explicou Liana Variani.
Nem todos os países medem salários da mesma forma
O levantamento não constitui um ranking oficial internacional.
Austrália, Estados Unidos e Alemanha divulgam medianas salariais. França e Portugal possuem pisos ou tabelas de convenções coletivas. O Reino Unido divulga uma faixa entre início de carreira e profissional experiente.
Na Suíça, o dado utilizado é uma média produzida por uma plataforma privada. No Chile, a referência vem de pretensões salariais informadas por candidatos em uma plataforma de emprego.
Por isso, a comparação deve ser interpretada como um panorama internacional de remuneração, e não como uma estatística mundial produzida com metodologia uniforme.
Tabela 4 – Natureza e qualidade dos dados utilizados
País Salário utilizado Natureza do dado Fonte principal Comparabilidade Austrália AUD 1.795 por semana Mediana de empregados em período integral Jobs and Skills Australia Alta Estados Unidos US$ 57.440 por ano Mediana nacional Bureau of Labor Statistics Alta Suíça CHF 68.680 por ano Média de mercado Jobs.ch Média Alemanha € 3.733 por mês Mediana de empregados em período integral Bundesagentur für Arbeit Alta Reino Unido £ 25 mil a £ 37 mil por ano Faixa indicativa National Careers Service Média Canadá CAD 25 por hora Referência central de faixa salarial Government of Canada Job Bank Média Holanda € 2.400 por mês Salário inicial de referência CAO Openbaar Vervoer e mercado de trabalho Média Espanha € 1.800 por mês Referência de entrada Convenções e operadores urbanos Média França € 1.936 por mês Mínimo convencional de entrada Convenção coletiva Média/alta Portugal € 1.033 por mês Piso convencional de referência Boletim do Trabalho e Emprego Média Chile CLP 787.142 por mês Pretensão salarial média Chiletrabajos Média/baixa Brasil R$ 2.940,15 por mês Média de registros trabalhistas Portal Salário/Caged Média/altaAustrália lidera depois do ajuste
Na Austrália, motoristas de ônibus e veículos rodoviários de passageiros empregados em período integral recebem remuneração mediana de AUD 1.795 por semana, segundo o Jobs and Skills Australia, órgão do governo australiano.
Convertido para uma média mensal, o valor corresponde a AUD 7.778 ou aproximadamente R$ 27.613.
O órgão também informa que a categoria possui idade mediana de 54 anos e que 40% dos profissionais trabalham em período parcial. Os dados mostram uma força de trabalho envelhecida e uma diversidade de jornadas que deve ser considerada na análise.
Após a correção pelo custo de vida, a remuneração australiana apresenta equivalência de aproximadamente R$ 12.801, a maior entre os países analisados.
Estados Unidos ficam na segunda posição
Nos Estados Unidos, o Bureau of Labor Statistics informa salário anual mediano de US$ 57.440 para motoristas de ônibus de transporte coletivo e serviços intermunicipais, com referência a maio de 2024.
O valor equivale a US$ 4.787 mensais ou aproximadamente R$ 24.213 pela cotação adotada.
Os 10% com menores remunerações recebiam menos de US$ 38.250 anuais, enquanto os 10% mais bem pagos superavam US$ 82.640.
Com a correção pelo custo de vida, a equivalência calculada é de aproximadamente R$ 11.499.
Suíça paga mais nominalmente, mas perde posições
A Suíça apresenta a maior remuneração nominal da pesquisa: CHF 68.680 brutos por ano, segundo a plataforma Jobs.ch.
O valor corresponde a CHF 5.723 por mês ou aproximadamente R$ 35.737.
A fonte não é uma estatística oficial do governo suíço. Trata-se de uma média de mercado construída com informações salariais fornecidas por trabalhadores e empregadores.
Como o país possui o maior índice de custo de vida do levantamento, de 109,8, a equivalência ajustada cai para aproximadamente R$ 10.773, colocando a Suíça atrás de Austrália e Estados Unidos.
Alemanha tem uma das bases mais consistentes
Na Alemanha, a Agência Federal de Emprego registra mediana salarial bruta de € 3.733 mensais para motoristas de ônibus empregados em período integral.
O valor corresponde a aproximadamente R$ 21.687.
O Entgeltatlas utiliza remunerações declaradas de trabalhadores sujeitos às contribuições sociais, o que confere maior consistência à comparação.
Depois do ajuste pelo custo de vida, o salário alemão apresenta equivalência de aproximadamente R$ 10.556.
Reino Unido pode variar de R$ 6,9 mil a R$ 10,2 mil no ajuste
O National Careers Service, serviço oficial de orientação profissional do governo britânico, informa remuneração entre £ 25 mil por ano para profissionais iniciantes e £ 37 mil para motoristas experientes.
A faixa corresponde a £ 2.083 a £ 3.083 por mês, ou aproximadamente R$ 14.144 a R$ 20.933.
Depois do ajuste pelo custo de vida, a equivalência fica entre R$ 6.865 e R$ 10.160.
O governo britânico também informa jornada típica entre 40 e 48 horas por semana, com possibilidade de trabalho noturno, nos fins de semana e feriados.
Canadá fica acima dos países europeus do sul
No Canadá, o Government of Canada Job Bank enquadra motoristas de ônibus, operadores de metrô e outros operadores de transporte coletivo no código ocupacional NOC 73301.
As remunerações variam significativamente entre províncias, cidades, empresas e tipos de serviço.
As faixas nacionais consultadas ficam aproximadamente entre CAD 17,18 e CAD 37,68 por hora.
No levantamento, foi adotado CAD 25 por hora como referência central, equivalente a CAD 4.333 mensais em uma jornada hipotética de 40 horas semanais.
Esse valor não é uma mediana oficial nacional específica do transporte urbano. Por isso, possui comparabilidade menor que os dados de Estados Unidos, Alemanha e Austrália.
Convertida para reais, a referência canadense chega a R$ 15.611. Depois do custo de vida, corresponde a aproximadamente R$ 8.429.
Holanda possui remunerações reguladas por convenção coletiva
Na Holanda, as condições dos motoristas do transporte coletivo são reguladas principalmente pela CAO Openbaar Vervoer.
A convenção coletiva estabelece pisos, adicionais, jornadas, horas extras, férias e regras previdenciárias.
Para o comparativo, foi adotada remuneração inicial de referência de € 2.400 mensais, equivalente a aproximadamente R$ 13.943.
O valor deve ser entendido como uma referência de entrada no mercado, e não como média nacional.
A equivalência ajustada pelo custo de vida é de aproximadamente R$ 7.122.
Espanha possui dezenas de convenções regionais
A Espanha não possui um piso nacional único específico para motoristas de ônibus.
A Confebús identifica mais de 50 convenções coletivas provinciais no transporte rodoviário de passageiros, com diferenças de salário-base, jornada, horas extras, adicionais e benefícios.
Para a tabela, foi utilizada uma referência de € 1.800 brutos mensais para início de carreira no transporte urbano.
O valor é conservador em relação aos salários de grandes operadores, especialmente nas maiores cidades.
Convertido para reais, corresponde a aproximadamente R$ 10.457. A equivalência ajustada é de R$ 6.708.
França tem piso convencional próximo de € 1.936
Na França, os motoristas podem estar vinculados à convenção dos transportes públicos urbanos ou à convenção do transporte rodoviário de passageiros, conforme a atividade e o operador.
Para motoristas do transporte rodoviário de passageiros, a tabela salarial consultada indica remuneração mínima mensal próxima de € 1.936 na contratação para determinado nível de classificação.
Com tempo de serviço, adicionais e progressão profissional, o valor pode superar € 2.300.
A reportagem adotou € 1.936 como referência, equivalente a aproximadamente R$ 11.247.
Depois do ajuste pelo custo de vida, a equivalência é de cerca de R$ 5.844.
Portugal recruta brasileiros, mas tem um dos menores salários da Europa
Portugal ocupa uma posição particular na comparação porque empresas do país passaram a buscar motoristas brasileiros diante da dificuldade para preencher vagas.
O mercado português, entretanto, oferece remunerações inferiores às encontradas nos países da Europa Ocidental e do Norte.
Para o ranking, foi adotado piso convencional de referência de € 1.033 mensais, identificado em tabela publicada no Boletim do Trabalho e Emprego.
Convertido para reais, o valor corresponde a aproximadamente R$ 6.001. Com o ajuste pelo custo de vida, a equivalência chega a R$ 4.164.
A remuneração-base não representa necessariamente o total recebido.
Motoristas podem ter subsídio de alimentação, pagamento por trabalho noturno, domingos, feriados, horas extraordinárias, disponibilidade, antiguidade e outros componentes previstos em contratos e convenções.
Também há diferenças entre operadores urbanos, empresas intermunicipais, transporte turístico e serviços de longo percurso.
Contratação de brasileiros em Portugal exige habilitação local
A proximidade linguística e a falta de profissionais fizeram de Portugal um destino conhecido entre motoristas brasileiros.
A contratação, entretanto, não depende apenas da experiência no Brasil.
O profissional precisa atender às regras portuguesas para condução de veículos de passageiros, incluindo habilitação compatível, reconhecimento ou troca do documento de condução, aptidão médica e formação profissional exigida para a atividade.
As condições concretas variam conforme empresa, contrato, situação migratória e tipo de serviço.
Isso significa que o salário convertido para reais não representa automaticamente uma vantagem financeira.
O custo da moradia, especialmente nas regiões de Lisboa e Porto, pode consumir parcela significativa da renda. Essa despesa não aparece no índice geral utilizado no levantamento.
Chile é o país mais próximo do Brasil
No Chile, não foi localizada uma estatística oficial nacional específica e atualizada para motoristas de ônibus com a mesma precisão disponível nos Estados Unidos, na Alemanha ou na Austrália.
A referência utilizada foi a média de CLP 787.142 mensais divulgada pela plataforma Chiletrabajos para o cargo de motorista de ônibus.
A base é construída a partir de pretensões salariais inseridas por candidatos, e não necessariamente dos salários efetivamente registrados em contratos. Por isso, sua comparabilidade é limitada.
O valor corresponde a aproximadamente R$ 4.288 pela relação cambial adotada.
Após o ajuste pelo custo de vida, a equivalência fica em cerca de R$ 3.630, ainda acima da média brasileira de R$ 2.940.
Por que a China ficou fora da classificação
A China não foi incluída no ranking principal porque não foi localizada uma estatística nacional específica para motoristas de ônibus que pudesse ser comparada diretamente com as demais fontes.
O National Bureau of Statistics publica remunerações médias de grandes setores, como transporte, armazenagem e correios, mas esses valores incluem diferentes atividades, ocupações e níveis profissionais.
Utilizar a média de todo o setor como se fosse o salário de um motorista de ônibus produziria uma comparação enganosa.
Por isso, a China foi mantida fora da classificação, apesar de ser um dos maiores mercados mundiais de transporte coletivo e de fabricação de ônibus.
Câmbio foi padronizado em uma única data
Todas as moedas foram convertidas utilizando as taxas de referência do Banco Central Europeu de 31 de julho de 2026.
Na data, um euro correspondia a:
Moeda Cotação por € 1 Dólar americano US$ 1,1485 Real brasileiro R$ 5,8095 Franco suíço CHF 0,9304 Dólar australiano AUD 1,6365 Dólar canadense CAD 1,6126 Libra esterlina £ 0,85573Para o peso chileno, foi utilizada a relação de aproximadamente CLP 1.066,40 por euro, com base nos dados do Banco Central do Chile.
A padronização evita que salários sejam convertidos utilizando cotações de datas diferentes.
A taxa de câmbio, entretanto, não mede o poder de compra interno.
Custo de vida não é igual em todas as cidades
O uso de um índice nacional também possui limitações.
O custo de viver em Lisboa pode ser diferente daquele encontrado em cidades menores de Portugal. O mesmo ocorre entre Paris e municípios franceses do interior, Toronto e cidades canadenses menores, Zurique e outras regiões suíças, ou São Paulo e municípios brasileiros de médio porte.
Além disso, o índice geral do Numbeo não inclui aluguel.
A moradia pode alterar significativamente a posição dos países, principalmente em mercados com forte pressão imobiliária.
Por essa razão, o salário ajustado apresentado não deve ser interpretado como a renda disponível exata de uma família.
Impostos e benefícios não foram padronizados
Os salários utilizados são predominantemente brutos.
Não foram descontados imposto de renda, contribuições previdenciárias, seguros obrigatórios, planos de saúde ou outros encargos.
Também não foram somados benefícios como subsídio ou vale-alimentação, adicional noturno, pagamento por domingos e feriados, horas extras, gratificações, participação nos resultados, previdência complementar, assistência médica ou auxílio para formação e habilitação.
Esses componentes podem alterar consideravelmente a remuneração total.
Jornadas também variam
Na Austrália, a mediana considerada se refere a trabalhadores em período integral.
No Reino Unido, a jornada típica informada pelo National Careers Service varia entre 40 e 48 horas por semana.
No Brasil, a média salarial consultada está associada a uma jornada próxima de 43 horas semanais.
No Canadá, a conversão mensal foi calculada considerando 40 horas por semana, mas sistemas, empresas e províncias podem adotar jornadas e escalas diferentes.
Por isso, o ranking não mede diretamente o salário por hora de todos os países.
Conclusão
O levantamento confirma que o Brasil possui a menor remuneração para motoristas de ônibus na amostra analisada.
Mesmo depois de considerado o custo de vida mais baixo, o salário brasileiro permanece abaixo de Chile, Portugal, França, Espanha, Holanda, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Suíça, Estados Unidos e Austrália.
Isso não significa que todos os motoristas estrangeiros tenham necessariamente melhores condições de vida.
Moradia, impostos, serviços públicos, benefícios, jornadas, segurança, exigências profissionais e proteção social interferem na realidade de cada trabalhador.
A pesquisa mostra, entretanto, que o custo de vida mais baixo do Brasil não compensa integralmente a diferença salarial.
Também mostra que simplesmente converter uma remuneração estrangeira para reais exagera o poder de compra efetivamente disponível naquele país.
A comparação mais equilibrada exige observar simultaneamente salário, preços, jornada, tributação, benefícios e metodologia estatística.
Metodologia
O levantamento não é um ranking oficial internacional.
Foram utilizados os dados mais recentes localizados até 31 de julho de 2026.
Salários anuais foram divididos por 12.
O salário semanal australiano foi multiplicado por 52 e dividido por 12.
No Canadá, a remuneração por hora foi transformada em valor mensal considerando 40 horas semanais e 52 semanas por ano.
No Reino Unido, foram mantidos os extremos da faixa oficial de remuneração.
As moedas foram convertidas pelas taxas do Banco Central Europeu de 31 de julho de 2026.
O salário ajustado foi calculado pela seguinte fórmula:
Salário convertido em reais × 33,1 ÷ índice de custo de vida do país.
O índice 33,1 corresponde ao Brasil na base Numbeo de meio de ano de 2026.
O cálculo é ilustrativo e não substitui a paridade de poder de compra produzida pelo Banco Mundial, pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico ou por outras instituições econômicas.
Fontes principais
U.S. Bureau of Labor Statistics;
Jobs and Skills Australia;
Bundesagentur für Arbeit;
National Careers Service;
Government of Canada Job Bank;
Boletim do Trabalho e Emprego de Portugal;
FNV e CAO Openbaar Vervoer da Holanda;
convenções coletivas francesas;
Confebús e convenções espanholas;
Jobs.ch;
Chiletrabajos;
Portal Salário, com dados do Caged, eSocial e Empregador Web;
Banco Central Europeu;
Banco Central do Chile;
Numbeo.
REPORTAGEM-DOCUMENTÁRIO: Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
ANÁLISE JURÍDICA: Liana Variani, advogada especializada em direito empresarial e risco jurídico
SPECIAL REPORT
Brazil ranks among the countries with the lowest bus driver salaries in an international comparison adjusted for cost of living and purchasing power
Diário do Transporte survey compares remuneration in 12 countries and finds that, even after adjusting for lower living costs in Brazil, bus drivers’ earnings remain below those observed in the other markets analyzed. Attorney Liana Variani argues that the economic realities faced by transport operators must also be considered.
ADAMO BAZANI
Brazil records the lowest remuneration for bus drivers among the twelve countries analyzed by Diário do Transporte, both in terms of direct currency conversion into Brazilian reais and through a simplified adjustment that takes differences in the cost of living into account.
Australia ranks first in estimated purchasing power, followed by the United States, Switzerland and Germany. Portugal and Chile are the countries whose remuneration comes closest to the Brazilian reality, although their adjusted earnings still remain higher.
The findings were obtained by combining labour statistics, collective bargaining agreements, government employment services, salary databases and international cost-of-living indicators. Since no standardized worldwide ranking of bus driver salaries exists, each source has its own characteristics and methodological limitations, which are explained throughout this report.
Corporate law and legal risk specialist Liana Variani cautions against drawing simplistic conclusions from the comparison.
“Brazil certainly needs to improve both wages and working conditions for bus drivers and other transport employees. However, transport companies alone cannot be blamed. That would be an oversimplification. The discussion must go further. Even though tax exemptions and incentives have expanded over the years, the tax burden on public transport remains extremely high. Operating costs must also be considered. In countries with better infrastructure, for example, expenses related to maintenance, repairs, premature wear of components and tires, as well as energy costs such as diesel and electricity, tend to be lower when the overall operating environment is taken into account,” Variani told Diário do Transporte Editor-in-Chief Adamo Bazani.
According to Variani, the survey also exposes an important paradox.
“Brazil ranks among the countries with the lowest wages when compared with the cost of living, while labour is simultaneously one of the largest cost components for bus operators. Blaming companies alone ignores the broader picture. In many cases, both employers and employees are affected by a system that requires much broader structural analysis.”
Table 1 – Adjusted remuneration compared with the Brazilian average
Rank Country Cost-of-living adjusted remuneration Compared with Brazil 1 Australia R$12,801 4.35× 2 United States R$11,499 3.91× 3 Switzerland R$10,773 3.66× 4 Germany R$10,556 3.59× 5 United Kingdom (Experienced) R$10,160 3.46× 6 Canada R$8,429 2.87× 7 Netherlands R$7,122 2.42× 8 United Kingdom (Entry Level) R$6,865 2.34× 9 Spain R$6,708 2.28× 10 France R$5,844 1.99× 11 Portugal R$4,164 1.42× 12 Chile R$3,630 1.23× 13 Brazil R$2,940 ReferenceThe United Kingdom appears twice because the official National Careers Service publishes a salary range for entry-level and experienced professionals rather than a single national average or median.
The adjusted remuneration presented in this report is a mathematical equivalence developed by Diário do Transporte. It should not be interpreted as net salary, official Purchasing Power Parity (PPP), or the amount that a foreign worker could actually transfer or spend in Brazil.
The calculation adopted is:
Salary converted into Brazilian reais × Brazil’s Cost of Living Index ÷ Cost of Living Index of the country analyzed.
Cost-of-living indices were obtained from Numbeo’s Cost of Living Index by Country 2026 Mid-Year, a private collaborative database that compiles information on food, transportation, restaurants, consumer services and household expenses. It should be noted that Numbeo is not an official statistical agency and that its general index does not include housing rents, which are calculated separately.
Brazil remains at the bottom of the sample
The Brazilian reference used in the survey is a monthly average salary of R$2,940.15 for formally employed urban bus drivers.
The figure was obtained from Portal Salário, based on employment records from CAGED (General Register of Employed and Unemployed Persons), eSocial and Empregador Web, all linked to Brazil’s Ministry of Labour and Employment.
The database considers only the contractual monthly wage reported by employers. It does not include overtime, night-shift premiums, bonuses, meal allowances, profit-sharing payments or any other employment benefits.
Although Brazil records the lowest cost-of-living index among the countries analyzed, this advantage is not sufficient to offset the substantial wage gap.
In nominal terms, the Australian salary is approximately 9.4 times higher than the Brazilian average. After applying the simplified cost-of-living adjustment, the difference declines but still reaches 4.35 times.
Switzerland provides another illustrative example. Nominally, Swiss bus drivers earn approximately 12.2 times more than their Brazilian counterparts. After adjustment, the difference decreases to 3.66 times, reflecting the country’s considerably higher living costs.
Even Chile, the country whose adjusted remuneration is closest to Brazil’s, reaches an estimated purchasing-power equivalent of R$3,630, approximately 23% higher than the Brazilian average considered in this survey.
According to attorney Liana Variani, another important question should be asked.
“Who ultimately pays this bill? Public transport users themselves, whose incomes are generally modest. Financing urban transport almost exclusively through fares creates distortions. Ticket prices become expensive for passengers while still failing to cover the system’s real operating costs. As a consequence, companies face greater difficulty implementing better remuneration and career development policies for their employees. Public transport fares are also part of the cost of living and influence the prices of goods and services throughout the economy because transportation is embedded in labour mobility and logistics. It becomes a snowball effect.”
Table 2 – Salaries, currency conversion and cost of living
Country Monthly salary (local currency) Equivalent in BRL Cost of Living Index Adjusted remuneration Australia AUD 7,778 R$27,613 71.4 R$12,801 United States US$4,787 R$24,213 69.7 R$11,499 Switzerland CHF5,723 R$35,737 109.8 R$10,773 Germany €3,733 R$21,687 68.0 R$10,556 United Kingdom (Experienced) £3,083 R$20,933 68.2 R$10,160 Canada CAD4,333 R$15,611 61.3 R$8,429 Netherlands €2,400 R$13,943 64.8 R$7,122 United Kingdom (Entry Level) £2,083 R$14,144 68.2 R$6,865 Spain €1,800 R$10,457 51.6 R$6,708 France €1,936 R$11,247 63.7 R$5,844 Portugal €1,033 R$6,001 47.7 R$4,164 Chile CLP787,142 R$4,288 39.1 R$3,630 Brazil R$2,940 R$2,940 33.1 R$2,940Currency conversions were carried out by Diário do Transporte using exchange rates from a single reference date. Rounded figures are presented throughout the report.
Variani also stresses that the relationship between wages and living costs deserves careful interpretation.
“Brazil’s cost of living remains proportionally high in relation to wages. Therefore, although Brazilian bus drivers receive comparatively low salaries by international standards, living costs consume a significant share of their income. Looking at the issue from the opposite perspective, reducing living costs would increase purchasing power even if nominal wages remained unchanged.”
Not all countries measure salaries in the same way
This survey does not constitute an official international ranking.
Australia, the United States and Germany publish median earnings.
France and Portugal provide collective bargaining wage scales or minimum contractual salaries.
The United Kingdom publishes indicative salary ranges for entry-level and experienced professionals rather than a national average.
In Switzerland, the remuneration used comes from a private salary platform.
For Chile, the reference is based on salary expectations voluntarily reported by job applicants through an employment platform.
Consequently, the comparison should be interpreted as an international remuneration overview, rather than as a globally standardized statistical ranking produced under a single methodology.
Table 3 – Nature and reliability of the data used
Country Salary reference Nature of data Primary source Comparability Australia AUD1,795/week Full-time employee median Jobs and Skills Australia High United States US$57,440/year National median Bureau of Labor Statistics High Switzerland CHF68,680/year Market average Jobs.ch Moderate Germany €3,733/month Full-time employee median Bundesagentur für Arbeit High United Kingdom £25k–£37k/year Indicative salary range National Careers Service Moderate Canada CAD25/hour Mid-range reference Government of Canada Job Bank Moderate Netherlands €2,400/month Entry-level reference CAO Openbaar Vervoer Moderate Spain €1,800/month Entry-level reference Collective agreements and operators Moderate France €1,936/month Collective agreement minimum Sector collective agreement Moderate/High Portugal €1,033/month Collective agreement minimum Boletim do Trabalho e Emprego Moderate Chile CLP787,142/month Average salary expectation Chiletrabajos Moderate/Low Brazil R$2,940.15/month Employment records average Portal Salário/CAGED Moderate/HighAustralia remains the benchmark after cost-of-living adjustment
In Australia, full-time bus and coach drivers receive a median weekly income of AUD 1,795, according to Jobs and Skills Australia, a federal government agency responsible for labour market statistics.
Converted into a monthly figure, this corresponds to approximately AUD 7,778, or R$27,613 using the exchange rate adopted in this survey.
The agency also reports that the occupation has a median age of 54 years, while approximately 40% of professionals work part-time, indicating both an ageing workforce and a significant diversity of working arrangements.
After adjusting for differences in the cost of living, the Australian remuneration corresponds to approximately R$12,801, making Australia the highest-ranked country in this comparison.
United States ranks second
According to the U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), the median annual wage for bus drivers employed in public transit and intercity passenger transportation reached US$57,440, based on data referring to May 2024.
This corresponds to approximately US$4,787 per month, or R$24,213 after currency conversion.
The BLS also reports considerable wage dispersion across the occupation. The lowest-paid 10% earned less than US$38,250 annually, while the highest-paid 10% received more than US$82,640 per year.
After adjusting for differences in living costs, the estimated purchasing-power equivalent reaches R$11,499, placing the United States second in the international comparison.
Switzerland records the highest nominal salary but falls after adjustment
Switzerland presents the highest nominal remuneration among all countries included in the survey.
According to Jobs.ch, bus drivers earn an average gross annual salary of CHF68,680, equivalent to approximately CHF5,723 per month or R$35,737 after conversion into Brazilian currency.
Unlike the figures available for Australia, Germany or the United States, this information does not originate from an official government statistical agency. Instead, it is based on salary information voluntarily reported through a private employment platform.
Switzerland also records the highest cost-of-living index among all countries examined (109.8). Consequently, once remuneration is adjusted for purchasing power, the equivalent falls to approximately R$10,773, placing Switzerland behind Australia and the United States despite offering the highest nominal wages.
Germany provides one of the most robust statistical bases
Germany’s Federal Employment Agency (Bundesagentur für Arbeit) reports a median monthly gross salary of €3,733 for full-time bus drivers.
Converted into Brazilian currency, this corresponds to approximately R$21,687.
The German Entgeltatlas database relies on payroll information reported through the country’s social security contribution system, making it one of the most statistically reliable datasets available among the countries analyzed.
After adjustment for living costs, German remuneration corresponds to approximately R$10,556, ranking fourth overall.
United Kingdom presents a salary range rather than a national average
Unlike most countries included in the survey, the United Kingdom does not publish a single national average for bus drivers.
Instead, the official National Careers Service provides an indicative salary range between £25,000 per year for entry-level professionals and £37,000 per year for experienced drivers.
This corresponds to approximately £2,083 to £3,083 per month, or R$14,144 to R$20,933 after currency conversion.
Following the purchasing-power adjustment, the estimated remuneration ranges between R$6,865 and R$10,160.
The British government also indicates that drivers typically work 40 to 48 hours per week, including evening shifts, weekends and public holidays when required by operational schedules.
Canada ranks above Southern European countries
Canada classifies bus drivers under National Occupational Classification (NOC) 73301, which also includes subway operators and other public transport operators.
Remuneration varies considerably depending on the province, municipality, employer and type of service operated.
National hourly wages generally range between approximately CAD17.18 and CAD37.68.
For purposes of this comparison, the survey adopted CAD25 per hour as a representative mid-range value, corresponding to approximately CAD4,333 per month assuming a hypothetical 40-hour work week.
Unlike the figures published by Australia, Germany and the United States, this amount does not represent an official national median specifically for urban bus drivers. Therefore, its statistical comparability is more limited.
Converted into Brazilian currency, the Canadian reference salary reaches approximately R$15,611. After adjusting for living costs, the estimated equivalent becomes R$8,429.
Na próxima etapa seguirei com:
- Netherlands
- Spain
- France
- Portugal
- Requirements for Brazilian drivers wishing to work in Portugal
- Chile
- Why China was excluded
- Exchange-rate methodology
- Cost-of-living limitations
- Taxes and benefits
- Working hours
- Conclusion
- Methodology
- Official sources
The Netherlands relies on collective bargaining agreements
In the Netherlands, employment conditions for public transport bus drivers are primarily regulated through the CAO Openbaar Vervoer, the national collective labour agreement governing the urban and regional public transport sector.
The agreement establishes minimum wages, working hours, overtime compensation, paid leave, pension arrangements and a broad range of employment conditions.
For the purposes of this comparison, the survey adopted an entry-level monthly salary of €2,400, equivalent to approximately R$13,943.
This figure should be interpreted as an initial market reference rather than as a national average or median.
After adjustment for differences in living costs, the estimated remuneration corresponds to approximately R$7,122.
Spain has dozens of regional collective agreements
Spain does not maintain a single nationwide wage scale specifically for bus drivers.
According to Confebús, the country’s leading passenger transport association, more than 50 provincial collective bargaining agreements regulate the road passenger transport industry, establishing different wage scales, working hours, overtime rules, allowances and employment benefits.
For consistency within this survey, an entry-level gross monthly salary of €1,800 was adopted as the reference value for urban bus drivers.
The figure is intentionally conservative, particularly when compared with remuneration offered by major metropolitan operators.
Converted into Brazilian currency, this corresponds to approximately R$10,457.
After adjusting for purchasing power, the estimated equivalent reaches R$6,708.
France adopts a collectively negotiated minimum wage
In France, bus drivers may fall under different collective agreements depending on the operator and the type of passenger service provided.
For road passenger transport, the collective agreement consulted establishes a minimum monthly wage of approximately €1,936 for a driver entering the profession at a specific occupational classification.
With seniority, career progression and additional payments, remuneration may exceed €2,300 per month.
For purposes of this survey, the comparison uses the initial contractual reference of €1,936, corresponding to approximately R$11,247.
Following adjustment for living costs, the estimated remuneration becomes approximately R$5,844.
Portugal recruits Brazilian drivers but still offers one of Western Europe’s lowest salaries
Portugal occupies a unique position in this comparison.
In recent years, several Portuguese operators have actively recruited Brazilian bus drivers in response to persistent labour shortages.
Nevertheless, Portuguese remuneration remains considerably lower than that offered by most Western and Northern European countries.
The survey adopts a collectively negotiated reference salary of €1,033 per month, identified in the official Boletim do Trabalho e Emprego.
Converted into Brazilian currency, this corresponds to approximately R$6,001.
After adjustment for purchasing power, the estimated remuneration reaches approximately R$4,164.
It is important to emphasize that this base salary does not necessarily represent total monthly earnings.
Drivers may receive meal allowances, night-shift premiums, overtime payments, Sunday and holiday supplements, on-call compensation, seniority bonuses and other contractual benefits depending on the employer and the applicable collective agreement.
Remuneration also varies according to whether the operator provides urban, regional, tourist or long-distance passenger services.
Brazilian drivers seeking employment in Portugal must meet local licensing requirements
Portugal has become a familiar destination for Brazilian professional drivers because of the common language and the country’s growing demand for qualified personnel.
However, previous professional experience in Brazil alone is insufficient.
Drivers must comply with Portuguese legislation governing passenger transport, including the recognition or exchange of driving licences, medical fitness requirements and the professional qualifications required for passenger transport operations.
Employment conditions also vary according to the company, contractual arrangements, immigration status and type of service provided.
Consequently, converting Portuguese salaries into Brazilian reais should not automatically be interpreted as evidence of greater purchasing power.
Housing costs—particularly in metropolitan areas such as Lisbon and Porto—may absorb a substantial portion of household income.
These housing expenses are not included in the general cost-of-living index used throughout this survey.
Chile is the closest country to Brazil within the comparison
Among all countries included in the survey, Chile presents the remuneration most closely aligned with Brazil.
No official and up-to-date national statistical source specifically covering bus driver salaries comparable to those available in Australia, Germany or the United States could be identified.
Therefore, the survey relied on the average monthly salary of CLP787,142 published by the employment platform Chiletrabajos.
Unlike official labour statistics, this figure is based primarily on salary expectations voluntarily reported by job applicants rather than on payroll records.
Its statistical comparability is therefore more limited.
Converted into Brazilian currency, the reference salary corresponds to approximately R$4,288.
After adjusting for purchasing power, the equivalent reaches approximately R$3,630, remaining above Brazil’s adjusted average of R$2,940.
Why China was not included in the ranking
China was intentionally excluded from the main comparison because no sufficiently comparable national statistical source specifically covering bus driver remuneration could be identified.
Although the National Bureau of Statistics of China publishes average wages for broad sectors such as transportation, storage and postal services, these categories include numerous occupations with substantially different qualifications and salary structures.
Using the average remuneration of the entire transport sector as though it represented bus drivers specifically would produce misleading conclusions.
For that reason, China was excluded from the international ranking despite representing one of the world’s largest public transport markets and one of the largest manufacturers of buses.
Na próxima etapa concluirei a tradução integral com:
Exchange Rates
Limitations of Cost-of-Living Comparisons
Taxes and Employment Benefits
Working Hours
Conclusion
Methodology
Official Sources
Exchange rates were standardized using a single reference date
All currencies were converted using the European Central Bank’s reference exchange rates published on 31 July 2026.
On that date, one euro corresponded to:
Currency Exchange Rate per €1 U.S. Dollar US$1.1485 Brazilian Real R$5.8095 Swiss Franc CHF0.9304 Australian Dollar AUD1.6365 Canadian Dollar CAD1.6126 Pound Sterling £0.85573For the Chilean peso, the survey adopted an approximate exchange rate of CLP1,066.40 per euro, based on figures published by the Central Bank of Chile.
Using a single exchange-rate reference avoids distortions that could arise if different currencies were converted using quotations from different dates.
However, exchange rates alone do not measure domestic purchasing power and therefore should not be interpreted as indicators of real living standards.
Living costs vary substantially within each country
The use of a single national cost-of-living index also involves important limitations.
Living expenses in Lisbon, for example, may differ significantly from those found in smaller Portuguese municipalities.
The same applies to comparisons between Paris and smaller French cities, Toronto and smaller Canadian municipalities, Zurich and other Swiss regions, or São Paulo and medium-sized Brazilian cities.
Furthermore, the general Numbeo Cost of Living Index does not include housing rents, which are calculated separately.
Housing expenses may significantly alter the relative financial situation of workers, particularly in metropolitan areas experiencing strong real estate inflation.
Consequently, the adjusted remuneration presented throughout this report should not be interpreted as the actual disposable income available to a household.
Taxes and employment benefits were not standardized
Most remuneration figures presented in this survey refer to gross salaries.
The comparison does not deduct income taxes, social security contributions, compulsory insurance premiums, health-care costs or other mandatory payroll deductions.
Likewise, the survey does not include employment benefits such as:
- meal allowances;
- night-shift premiums;
- Sunday and public holiday compensation;
- overtime payments;
- performance bonuses;
- profit-sharing;
- supplementary pension plans;
- employer-provided health insurance;
- vocational training or driver qualification assistance.
These components may substantially affect a driver’s total compensation package and therefore differ considerably between countries.
Working hours also differ
Working time constitutes another important limitation when comparing international remuneration.
In Australia, the median salary refers specifically to full-time employees.
In the United Kingdom, the official National Careers Service reports typical working weeks ranging from 40 to 48 hours.
In Brazil, the average salary considered in this survey is associated with an average contractual workload of approximately 43 hours per week.
For Canada, the monthly remuneration used in the comparison was calculated assuming a 40-hour working week, although actual schedules vary among provinces, operators and transport systems.
For these reasons, the present comparison should not be interpreted as a standardized comparison of hourly wages across countries.
Conclusion
The survey confirms that Brazil records the lowest remuneration for bus drivers among the countries included in this international comparison.
Even after considering Brazil’s comparatively lower cost of living, adjusted remuneration remains below that observed in Chile, Portugal, France, Spain, the Netherlands, Canada, the United Kingdom, Germany, Switzerland, the United States and Australia.
This finding does not necessarily imply that bus drivers in every other country enjoy better overall living conditions.
Housing costs, taxation, public services, employment benefits, working hours, professional requirements, safety conditions and social protection all influence workers’ quality of life and financial well-being.
Nevertheless, the study demonstrates that Brazil’s lower living costs do not fully compensate for the country’s lower wage levels.
It also shows that simply converting foreign salaries into Brazilian reais tends to overestimate their effective purchasing power.
A balanced international comparison requires simultaneous consideration of remuneration, consumer prices, working hours, taxation, employment benefits and statistical methodology.
Methodology
This survey does not constitute an official international ranking.
The most recent information available up to 31 July 2026 was used.
Annual salaries were divided by twelve in order to obtain monthly values.
Australian weekly wages were multiplied by 52 and divided by 12.
For Canada, hourly remuneration was converted into a monthly salary assuming a 40-hour work week and 52 working weeks per year.
For the United Kingdom, both the entry-level and experienced salary references officially published by the National Careers Service were maintained.
All currencies were converted using the European Central Bank’s reference exchange rates of 31 July 2026.
Adjusted remuneration was calculated according to the following formula:
Salary converted into Brazilian reais × 33.1 ÷ Cost of Living Index of the country analyzed.
The value 33.1 corresponds to Brazil’s Numbeo Mid-Year 2026 Cost of Living Index.
This calculation is intended solely as an analytical approximation and should not be interpreted as an official Purchasing Power Parity (PPP) indicator published by institutions such as the World Bank or the Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD).
Primary Sources
- U.S. Bureau of Labor Statistics
- Jobs and Skills Australia
- Bundesagentur für Arbeit
- National Careers Service (United Kingdom)
- Government of Canada Job Bank
- Boletim do Trabalho e Emprego (Portugal)
- FNV / CAO Openbaar Vervoer (Netherlands)
- French collective bargaining agreements
- Confebús and Spanish collective agreements
- Jobs.ch
- Chiletrabajos
- Portal Salário (Brazil), based on CAGED, eSocial and Empregador Web
- European Central Bank
- Central Bank of Chile
- Numbeo
Adamo Bazani
Journalist specialized in Transportation
Legal Analysis: Liana Variani
REPORTAJE ESPECIAL
Brasil se encuentra entre los países con los salarios más bajos para conductores de autobús en un ranking internacional que considera el costo de vida y el poder adquisitivo
Un estudio realizado por Diário do Transporte compara la remuneración de conductores de autobús en doce países y demuestra que, incluso después de considerar el menor costo de vida en Brasil, los ingresos de la categoría siguen siendo inferiores a los observados en los demás mercados analizados. La abogada Liana Variani sostiene que también es necesario comprender la realidad económica de las empresas operadoras.
ADAMO BAZANI
Brasil registra la menor remuneración para los conductores de autobús entre los doce países analizados por Diário do Transporte, tanto en la conversión directa de los salarios a reales brasileños como en un cálculo simplificado que incorpora las diferencias en el costo de vida.
Australia ocupa el primer lugar en poder adquisitivo estimado, seguida por Estados Unidos, Suiza y Alemania. Portugal y Chile son los países cuya realidad salarial más se aproxima a la brasileña, aunque ambos continúan presentando remuneraciones ajustadas superiores.
El estudio fue elaborado mediante el cruce de estadísticas laborales, convenios colectivos, servicios públicos de empleo, plataformas salariales e índices internacionales de costo de vida. Dado que no existe un ranking mundial estandarizado sobre los salarios de los conductores de autobús, cada fuente utilizada posee características metodológicas y limitaciones propias, explicadas detalladamente a lo largo del presente informe.
La abogada especializada en derecho empresarial y riesgos jurídicos Liana Variani advierte que los resultados deben interpretarse con cautela.
“Brasil realmente necesita mejorar la remuneración y las condiciones de trabajo de los conductores de autobús y de los demás trabajadores del sector. Sin embargo, no es posible responsabilizar únicamente a las empresas de transporte. Sería una simplificación excesiva. Hay que mirar el panorama completo. Aunque en los últimos años se han producido avances mediante incentivos fiscales y medidas de desgravación, la carga tributaria sobre el transporte público continúa siendo elevada. Además, deben considerarse los costos operativos. En países con mejor infraestructura, por ejemplo, los gastos de mantenimiento, reparaciones, desgaste prematuro de componentes y neumáticos, así como los costos energéticos —como el diésel o la electricidad— suelen ser menores cuando se analiza el entorno operativo en su conjunto”, explicó Variani al director y editor jefe de Diário do Transporte, Adamo Bazani.
Según la especialista, el estudio también pone de manifiesto una contradicción relevante.
“Brasil figura entre los últimos lugares en materia salaria