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Executivos da Natura e da BBM Logística defendem que adaptação, colaboração, inovação e integração entre parceiros passaram a ser fatores decisivos para manter a competitividade das operações internacionaisAs sucessivas crises geopolíticas, os gargalos logísticos e a volatilidade do comércio internacional vêm mudando a forma como empresas planejam suas cadeias de suprimentos. Para a Natura, multinacional brasileira de cosméticos com operações em diversos países da América Latina, e para a BBM Logística, operadora de logística integrada com forte presença no Mercosul, reduzir custos já não basta. A continuidade dos negócios depende cada vez mais da capacidade de adaptação, do fortalecimento das parcerias estratégicas e do investimento contínuo em tecnologia.
Esses foram alguns dos principais temas discutidos no terceiro episódio do BBM Cast, conduzido por Juliana Blumenthal, gerente-geral de Marketing e Comunicação da BBM Logística. Com mediação de Pedro Moreira, presidente da Abralog, o encontro reuniu Wagner Ferreira, gerente de Logística Internacional da Natura, e Matias Ferrari, diretor de Transporte Internacional da BBM Logística, para discutir como inovação, colaboração e transformação digital estão redesenhando o comércio exterior e a logística internacional.
Geopolítica impõe uma nova lógica às cadeias globais Pedro Moreira e Juliana BlumenthalA sequência de crises internacionais transformou definitivamente o ambiente de negócios para quem atua no comércio exterior. Para Wagner Ferreira, a estabilidade deixou de existir como referência: “Depois da pandemia não tivemos mais um período de estabilidade…Crise no transporte marítimo, gargalos portuários, conflitos geopolíticos, pressão sobre combustíveis. Hoje precisamos trabalhar com diferentes cenários ao mesmo tempo. Não basta desviar do problema. É preciso aprender a conviver com ele durante um período que pode ser indeterminado, sem deixar de gerar valor para o cliente.”
Pedro Moreira observou que esse novo contexto também modifica a relação entre embarcadores e operadores logísticos: “Durante muito tempo o mercado trabalhou muito orientado por preço. Hoje a complexidade exige relações mais maduras, nas quais cliente e operador consigam construir soluções juntos.”
Sob a perspectiva operacional, Matias Ferrari lembrou que, além dos impactos dos grandes acontecimentos internacionais, o transporte internacional convive diariamente com desafios regulatórios, culturais e operacionais: “Cada país tem sua legislação, sua cultura e sua forma de operar. É preciso conhecer essas diferenças para conseguir manter a eficiência da operação.”
Inovação deixa de ser diferencial para se tornar condição de competitividadeSe a instabilidade passou a fazer parte do ambiente de negócios, a inovação tornou-se uma das principais ferramentas para responder rapidamente às mudanças. Ao conduzir o tema, Juliana Blumenthal perguntou como Natura e BBM estão incorporando tecnologia às suas operações.
Wagner Ferreira e Matias Ferrari“O nosso negócio é movido por inovação. O segmento de beleza depende disso. O consumidor muda o tempo todo e nós precisamos acompanhar essa velocidade. Isso levou a Natura a modernizar sua infraestrutura tecnológica, integrando plataformas, sistemas de planejamento e operações. A inovação também depende das pessoas. Por isso investimos muito em capacitação, porque a transformação digital acontece através delas.”
Na BBM, a inovação está voltada ao ganho de eficiência operacional. Matias Ferrari explicou: “Já utilizamos agentes de inteligência artificial para conferir documentos do transporte internacional. Isso reduz erros e libera as equipes para atividades mais estratégicas. O próximo passo será ampliar o uso da IA para aplicações preditivas: Queremos que ela nos ajude a antecipar gargalos em fronteiras, questões climáticas e outros eventos que possam impactar a operação.” Pedro Moreira resumiu a discussão ao afirmar: “Inovar não é apenas adotar tecnologia. É também revisar continuamente os processos para descobrir onde é possível gerar eficiência no todo da cadeia.”
Parcerias estratégicas fortalecem a cadeia logísticaAo conduzir a conversa para a relação entre embarcadores e operadores logísticos, Pedro Moreira observou que a competitividade depende cada vez mais da integração entre os diferentes elos da cadeia: “A cadeia só funciona quando todos os seus elos estão fortalecidos. Hoje não basta contratar um fornecedor; é preciso construir uma parceria.”
Na prática, esse conceito orienta a atuação internacional da BBM. Segundo Matias Ferrari, a operação está estruturada sobre quatro pilares — atendimento ao cliente, inovação, compliance e gestão operacional integrada — acompanhando toda a jornada da carga: “Cada país tem uma dinâmica própria. Nossa função é conhecer essas diferenças e transformar essa complexidade em previsibilidade para o cliente.”
Ao comentar a parceria com a BBM, Wagner Ferreira afirmou que um dos diferenciais esteve no trabalho desenvolvido antes mesmo do início da operação: “A BBM procurou entender profundamente o nosso negócio antes de começar a operar. Isso fez muita diferença na implantação e reduziu bastante a curva de aprendizagem.” Juliana Blumenthal acrescentou que essa proximidade faz parte da filosofia da empresa: “Nosso objetivo é estar próximo do cliente durante toda a jornada, entendendo suas necessidades e buscando evoluir continuamente.”
Digitalização, integração e sustentabilidade desenham o futuro do comércio exteriorAo abordar a evolução do ambiente regulatório, Wagner Ferreira destacou os avanços do Portal Único de Comércio Exterior, que digitalizou procedimentos de importação e exportação, e do LPCO (Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos), sistema que reúne em um único ambiente as autorizações dos órgãos anuentes, reduzindo burocracia e agilizando a liberação de cargas: “Tivemos uma evolução importante. Os processos ficaram mais integrados e isso trouxe ganhos para quem opera comércio exterior.” Ferreira também ressaltou a contribuição do Operador Econômico Autorizado (OEA), programa que certifica empresas com elevado grau de conformidade aduaneira e acelera as operações de comércio exterior.
Para Matias Ferrari, o próximo passo será ampliar a integração entre as aduanas sul-americanas: “Precisamos fazer com que as aduanas conversem mais entre si. Quando as informações circulam automaticamente, reduzimos tempo de desembaraço, burocracia e aumentamos a produtividade.”
Encerrando o debate, Juliana Blumenthal observou que a logística internacional consolidou seu papel estratégico para a competitividade das empresas e convidou os participantes a deixarem uma mensagem aos profissionais do setor.
Wagner Ferreira defendeu uma atuação mais integrada entre empresas, operadores logísticos e governo: “Precisamos aproximar empresas, operadores logísticos e governo. O futuro passa pela colaboração, pela inteligência artificial, pelos corredores verdes, pelos biocombustíveis e pela construção de cadeias cada vez mais sustentáveis.”
Na mesma linha, Matias Ferrari destacou que a capacidade de adaptação continuará sendo um diferencial competitivo: “Nosso compromisso é continuar gerando produtividade e valor para os clientes. O ambiente muda todos os dias, e nossa responsabilidade é estar preparados para mudar junto com ele.”
Fotos: Divulgação
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Fonte base da analise: abralog.com.br. Atualizacao da fonte em 30/06/2026 16:38.