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“Essa geração quer mais”: Douglas Matsumoto analisa base da Ferroviária

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“Essa geração quer mais”: Douglas Matsumoto analisa base da Ferroviária
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“Essa geração quer mais”: Douglas Matsumoto analisa base da Ferroviária

As finais desta edição do Brasileirão Feminino sub-17 entregaram o que se espera de uma decisão: futebol em alto nível, dois jogos em que a bola quase não saiu, emoção, intensidade e talento. Depois do empate em 4 a 4...

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As finais desta edição do Brasileirão Feminino sub-17 entregaram o que se espera de uma decisão: futebol em alto nível, dois jogos em que a bola quase não saiu, emoção, intensidade e talento. Depois do empate em 4 a 4 na primeira partida, em Araraquara, Ferroviária e Internacional voltaram a se encontrar pelo título. No jogo de volta, em Porto Alegre, Sofia decidiu. E, à beira do campo, estava Douglas Matsumoto, acompanhando de perto a equipe que havia conduzido até ali.

Aos 32 anos, Douglas Matsumoto já acumulava experiências em diferentes funções, clubes e até fora do país, em Portugal, quando assumiu o comando do sub-17 da Ferroviária. A conquista do Brasileiro Feminino da categoria, inédita para a equipe de Araraquara, acrescentou um título nacional a uma história que começou ainda em 2014, no Centro Olímpico, em São Paulo, quando o futebol feminino de base tinha uma estrutura bem diferente da atual.

Foi ali que o treinador passou seis temporadas e teve contato com diferentes áreas da comissão técnica antes de decidir que precisava sair do ambiente em que havia começado para continuar aprendendo.

Centro Olímpico, experiência internacional e retorno ao Brasil

Formado em Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, Douglas encontrou na formação acadêmica um caminho paralelo ao trabalho de campo. No Centro Olímpico, foi treinador de uma categoria, preparador físico de outra e auxiliar em uma terceira. Também chegou a trabalhar no treinamento de goleiras em situações emergenciais. A experiência em um clube de menor estrutura, segundo ele, acabou fazendo com que transitasse por funções que mais tarde ajudariam a ampliar sua compreensão sobre o futebol.

“Fiz tudo, tudo, até supervisor já fui já”, contou Douglas, em entrevista exclusiva à VEJA. A passagem pelo Centro Olímpico também colocou o treinador em contato com profissionais que se tornariam referências em sua formação, entre eles Arthur Elias, Jonas Urias, Lucas Piccinato e Thiago Viana.

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“Fui estagiário do Arthur Elias, fui estagiário do Jonas Urias, que foi treinador do sub-20 e está no Cruzeiro hoje. Trabalhei junto com o Lucas Piccinato, trabalhei com o Thiago Viana. Então, assim, se pensar, o Thiago Viana está na semifinal do Brasileiro há quatro anos com o São Paulo. O Piccinato ganhou duas Libertadores, dois Brasileiros. O Jonas fez uma campanha histórica com a seleção sub-20 e com o Cruzeiro. O Arthur, o Arthur foi o maior que tem no futebol brasileiro. Mas eu, desses caras todos que eu pude ver de perto, que eu pude trabalhar junto, sou um fã, assim, incontestável, fã número um do Piccinato. É um amigo que eu tenho, que eu tenho esse privilégio de falar, e é um cara que eu lembro que, principalmente no começo da carreira, ele me dava muito toque. Nossa, ele vinha e falava: ‘Ó, Douglas, faz esse caminho, faz esse, isso aqui não dá certo’. E justamente por ser amigo, eu sei que às vezes dava umas broncas mais incisivas e depois acabava, a gente estava no bar trocando ideia. Então, acho que ele é um cara que eu admiro muito. Apesar de ter trabalhado com o Arthur, apesar de ter trabalhado com o Jonas, eu acho que o Piccinato é um cara que me ensinou muito e, além disso, é um amigo que eu tenho”, diz ele.

Depois de seis temporadas, porém, Douglas sentiu que havia chegado a um limite no Centro Olímpico. Então, decidiu buscar uma experiência fora do país e foi aprovado para uma bolsa de estudos na Universidade do Porto, em Portugal, onde cursou mestrado em treinamento de alto rendimento e também avançou no caminho das licenças da UEFA. A mudança representou a primeira saída do treinador do futebol brasileiro e também sua primeira experiência no futebol profissional.

Em Portugal, a porta de entrada foi a análise de desempenho. Depois, Douglas passou a trabalhar como treinador no Valadares, seu primeiro e, até então, único trabalho à frente de uma equipe profissional. A experiência também marcou uma mudança na forma como ele enxergava o jogo. Acostumado à escola paulista, que identifica como mais voltada ao refinamento técnico e a um jogo cadenciado, encontrou no futebol português uma cultura fortemente influenciada pela periodização tática.

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Ao retornar ao Brasil, passou pelo São Paulo, onde trabalhou como auxiliar técnico e também na operação dos jogos, antes de chegar ao Fluminense. No clube carioca, foi campeão estadual e teve contato com uma característica de jogo que, segundo ele, contrastava com o que havia vivenciado em São Paulo e Portugal. Douglas identificou no futebol carioca uma valorização maior da força física e das transições, enquanto via no cenário paulista uma preocupação mais acentuada com a técnica e em Portugal um peso maior para o entendimento tático.

Experiências refletem dentro de campo

A passagem por diferentes contextos acabou influenciando a maneira como Douglas conduz seus times. Ele não se define por um único sistema ou por uma ideia rígida de jogo, pelo contrário, prefere adaptar a estratégia às características das jogadoras e ao ambiente encontrado em cada clube. Entre suas referências estão profissionais com quem trabalhou diretamente, mas também treinadores que admira pela capacidade de adaptação.

“Eu acho que o futebol exige que nós treinadores sejamos esse tipo de pessoa”, afirmou, ao falar sobre a capacidade de mudar de acordo com as características da equipe. Para Douglas, ouvir as jogadoras também faz parte desse processo, assim como compreender que a função do treinador não se resume às decisões tomadas durante os 90 minutos.

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Foi com essa perspectiva que ele chegou à Ferroviária. A mudança para Araraquara aconteceu depois de sua saída do São Paulo, em meio a uma troca de diretoria. Douglas ficou algum tempo no mercado até entrar no processo seletivo para assumir a equipe. A Ferroviária, entretanto, não era uma escolha aleatória. O treinador já havia enfrentado o clube diversas vezes e guardava a imagem de uma equipe competitiva, difícil de enfrentar e fiel à identidade construída pelas Guerreiras Grenás.

“Era sempre um jogo chato, sabe? E me dava uma certa admiração porque era sempre um jogo divertido de estar”, explicou. O convite acabou aproximando duas partes que já se conheciam como adversárias e que agora passariam a trabalhar juntas.

Chegada à Ferroviária: “Estrutura melhor do que eu imaginava”

Na Ferroviária, Douglas encontrou uma estrutura que, segundo ele, foi ainda melhor do que imaginava. O treinador destacou a qualidade das comissões técnicas e a integração entre as categorias, algo que se tornaria especialmente importante durante a campanha do sub-17. A equipe trabalha a partir de um caderno metodológico elaborado pela coordenação, com progressão de conteúdos técnicos, táticos e físicos desde as categorias mais jovens. Ao mesmo tempo, os treinadores têm espaço para acrescentar suas próprias características ao processo.

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Para Douglas, a campanha no Brasileiro não representa uma ruptura com o trabalho desenvolvido pela Ferroviária, mas a consequência de um processo que começa antes mesmo da chegada das jogadoras ao sub-17. A integração entre as categorias permite que a atleta avance do sub-15 para o sub-17 e depois para o sub-20 sem precisar recomeçar do zero a cada mudança de faixa etária.

“É realmente uma continuidade do trabalho que vem lá do sub da escolinha, depois pro sub-13”, explicou. O treinador acrescentou que sua experiência em diferentes clubes, estados e países serviu para acrescentar ao modelo da Ferroviária aquilo que considerava mais adequado para uma competição nacional.

Douglas Matsumoto, treinador do sub-17 da Ferroviária.Jonatan Dutra | Ferroviária/Divulgação Continua após a publicidade

Campanha das Guerreirinhas Grenás até o título brasileiro

A campanha teve, no entanto, um percurso que exigiu mais do que a aplicação de uma metodologia. Depois de uma primeira fase com viagens longas e adversários competitivos, a Ferroviária encontrou o São Paulo no mata-mata. A geração de 2010 carregava um histórico recente de resultados negativos diante do rival e havia perdido para a equipe na final da Liga de Desenvolvimento no início do ano.

O primeiro confronto do Brasileiro parecia reforçar aquele retrospecto quando o São Paulo abriu vantagem de 4 a 1. A Ferroviária reagiu e buscou o empate por 4 a 4, resultado que, na avaliação de Douglas, teve impacto também fora do placar. O treinador entendeu que aquele jogo ajudou a retirar das atletas o peso psicológico que o adversário carregava.

“Acabou o fantasma São Paulo na cabeça das atletas”, resumiu. Na sequência, a Ferroviária eliminou o Corinthians, equipe que havia tirado o clube do Brasileiro na temporada anterior. Para Douglas, a vitória teve outro efeito importante sobre o grupo: a sensação de que os obstáculos que haviam aparecido nas temporadas anteriores não precisavam determinar o que aconteceria naquela competição.

A final contra o Internacional levou essa construção ao limite. No primeiro jogo, em Araraquara, a Ferroviária saiu atrás logo no início e terminou o primeiro tempo perdendo por 4 a 2, além de estar com uma jogadora a menos. A comissão recorreu novamente ao que havia sido construído ao longo da campanha, lembrando às atletas da reação contra o São Paulo. A equipe voltou para o segundo tempo e terminou o jogo em 4 a 4.

Na partida de volta, no Rio Grande do Sul, a decisão ganhou outro personagem. Sofia, que vinha de uma boa semana de treinamentos e havia ficado fora de um mata-mata anterior, entrou no segundo tempo e marcou o gol que decidiu a conquista. Douglas admite que a escolha teve uma dose de percepção construída durante a semana, mas também de confiança na jogadora.

“Não tem livro, não tem artigo, não sei a parte científica aí, mas é acho que um feeling mesmo de que, cara, vai dar certo”, contou. Sofia havia treinado também com o sub-20 e, naquele momento, aparecia entre as artilheiras da equipe. A entrada se mostrou decisiva e completou uma final em que a Ferroviária precisou lidar com diferentes situações ao longo dos dois jogos.

O título também reforçou uma característica que Douglas considera central no trabalho de formação: preparar atletas para o futebol profissional. Na Ferroviária, ele acompanha de perto o movimento entre as categorias e vê como parte de sua função fazer com que as jogadoras avancem dentro do clube. O treinador cita o caso de Marina, chamada para treinar com o profissional durante um período em que o elenco principal tinha uma necessidade específica na posição.

“Ganhar é bom, mas você vê que o atleta conseguiu cumprir a etapa e você fez parte disso. É muito mais da hora”, afirmou. Para ele, a conquista de um campeonato é importante, mas o desenvolvimento das atletas é uma medida igualmente relevante do trabalho realizado na base.

A própria preparação física da equipe sub-17 mostra o quanto essa transição vem sendo encurtada. Douglas conta que dados de GPS apresentados pelo fisiologista Henrique indicaram que a equipe apresentava distância percorrida e níveis de intensidade próximos aos observados no time profissional. O dado, na visão do treinador, é reflexo da evolução do futebol de base e da tentativa de preparar as jogadoras para exigências cada vez mais próximas daquelas que encontrarão no adulto.

“A a gente tem uma base que assim consegue muito bem hoje jogar um profissional. Óbvio que ganhar ou não é uma coisa, mas que a gente tá conseguindo preparar bem assim. E é muito uma evolução que o processo de base no Brasil tá tendo, né? Não duvido que o Inter também tenha batido números altos de GPS, assim como Corinthians”, disse.

O título brasileiro, portanto, aparece na trajetória de Douglas como uma conquista importante, mas não como destino. Ele continua estudando, atualmente em processo de obtenção da licença A da CBF, depois de já ter as licenças B da CBF e da UEFA. A formação, que começou na USP e passou pela Universidade do Porto, continua acompanhando a carreira construída nos campos.

Douglas não esconde que pretende trabalhar novamente no futebol profissional e mira competições continentais. A experiência no Valadares foi apenas o primeiro contato com esse nível, mas o treinador entende que permanecer mais algum tempo na base pode ajudá-lo a ampliar sua preparação.

“Eu confesso que eu quero pro futebol profissional”, disse. O sonho, segundo ele, passa por disputar uma Libertadores e uma Champions League como treinador. Até lá, o título brasileiro sub-17 da Ferroviária acrescenta uma marca relevante a uma carreira que começou no futebol de formação, atravessou fronteiras e diferentes funções dentro de uma comissão e agora ganha força justamente em um clube que trata a base como parte estrutural de seu projeto.

Campanha da Ferroviária em números

Primeira fase

  • Rodada 1: ADERGS 0 x 4 Ferroviária
  • Rodada 2: Ferroviária 13 x 0 Remo
  • Rodada 3: Ferroviária 5 x 0 Avaí/Kindermann
  • Rodada 4: Avaí/Kindermann 0 x 4 Ferroviária
  • Rodada 5: Remo 0 x 6 Ferroviária
  • Rodada 6: Ferroviária 4 x 0 ADERGS

Quartas de final

  • Jogo de ida: São Paulo 4 x 4 Ferroviária
  • Jogo de volta: Ferroviária 3 x 1 São Paulo

Semifinal

  • Jogo de ida: Ferroviária 2 x 1 Corinthians
  • Jogo de volta: Corinthians 1 x 3 Ferroviária

Final

  • Jogo de ida: Ferroviária 4 x 4 Internacional
  • Jogo de volta: Internacional 1 x 2 Ferroviária
Time da Ferroviária campeão brasileiro sub-17 feminino de 2026.Jonathan Dutra/Ferroviári/Divulgação Publicidade

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Fonte base da analise: VEJA. Atualizacao da fonte em 11/09/2026 19:43.

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