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A França registrou 5.764 mortes acima do esperado entre 17 de junho e 2 de julho durante a onda de calor extremo que assola o país, informaram as autoridades de saúde locais nesta quarta-feira, 22. Trata-se da onda de calor mais mortal desde a registrada em 2003, quando cerca de 15 mil pessoas morreram.
De acordo com as autoridades, a segunda quinzena de junho apresentou um excesso de mortalidade de 36% e um aumento sem precedentes de óbitos por todas as causas entre pessoas com 15 anos ou mais. Mais da metade das mortes adicionais ocorreu entre os dias 25 e 27 de junho, e cerca de dois terços das vítimas tinham 75 anos ou mais.
Mortes adicionais (ou excesso de mortalidade) referem-se ao número de óbitos registrados acima da média histórica esperada para um mesmo período. Em ondas de calor, esse aumento costuma ocorrer porque o estresse térmico extremo agrava condições pré-existentes, especialmente respiratórias e cardiovasculares, atingindo principalmente idosos.
O número provisório já supera o total de mortes adicionais registradas durante todo o verão de 2025, quando a França contabilizou 5.722 óbitos em excesso. Um balanço definitivo sobre o impacto das altas temperaturas em 2026 será divulgado a partir de setembro e deverá incluir também cerca de 300 mortes ocorridas durante a onda de calor do fim de maio.
As altas temperaturas também fizeram o número de mortes na região de Paris mais que dobrar no mês de junho, de acordo com um relatório publicado na semana passada pela agência sanitária da região de Île-de-France, que inclui Paris e sete departamentos ao redor da capital francesa. Segundo o levantamento, a região registrou cerca de 3.000 mortes entre 22 e 28 de junho, um aumento de 1.565 óbitos na comparação com o mesmo período do ano passado.
A nova crise reacendeu na França as lembranças da histórica onda de calor de agosto de 2003, considerada a pior da história recente do país. Na ocasião, cerca de 15 mil pessoas morreram, e o governo foi alvo de fortes críticas pela resposta considerada insuficiente. Neste ano, partidos de oposição voltaram a acusar o Executivo de falta de preparo diante das temperaturas extremas.
Continua após a publicidadeCalor na Europa
No fim de junho, as altas temperaturas bateram recordes em diversos países europeus, interrompendo o fornecimento de energia, provocando o fechamento de escolas e causando danos à infraestrutura. Na Alemanha, por exemplo, o calor derreteu o asfalto ao redor de trilhos de bonde na cidade de Leipzig.
Continua após a publicidadeJuntos, os 27 países da União Europeia registraram mais de 10 mil mortes associadas ao calor no fim de junho, segundo dados divulgados pela rede EuroMOMO, apoiada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A maioria das vítimas — mais de 9 mil — tinha 65 anos ou mais.
De acordo com a EuroMOMO, apenas a França e a Bélgica registraram níveis classificados como de “mortalidade em excesso muito alta”. Em solo belga, segundo o instituto de saúde pública Sciensano, o impacto foi o maior já registrado em uma onda de calor desde o início da série histórica, em 2000.
Continua após a publicidadeEspecialistas afirmam que não houve outros fatores relevantes, como surtos de doenças infecciosas, capazes de explicar o aumento abrupto da mortalidade.
“Ter um excesso dessa magnitude nesta época do ano é incomum. É um número realmente muito alto”, afirmou à agência de notícias Reuters Lasse Vestergaard, chefe médico do Instituto Estatal de Soro da Dinamarca, que é sede da plataforma EuroMOMO.
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Fonte base da analise: VEJA. Atualizacao da fonte em 22/07/2026 15:46.