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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), os dois principais concorrentes à Presidência da República, darão neste domingo de manhã a largada oficial de suas campanhas, no primeiro dia permitido pela legislação eleitoral, ancorados em dois redutos históricos para a esquerda e a direita, respectivamente.
Pré-candidatos assumidos desde o final do ano passado, Lula e Flávio Bolsonaro iniciam o sprint final da corrida eleitoral mais ou menos na mesma posição. Pesquisa Quaest divulgada na sexta-feira, 14, mostrou que ambos estariam empatados tecnicamente em um eventual segundo turno — o petista tem 43% das intenções de voto contra 40% do senador.
O cenário de um embate em segundo turno entre ambos é hoje o mais provável. No primeiro turno, ainda segundo a Quaest, Lula abre a campanha com 38% contra 31% de Flávio — depois aparecem Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), cada um com 4%; Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo), com 2% cada; e Samara Martins (UP), com 1%.
Berço operário
Para o pontapé inicial da campanha, Lula escolheu um dos locais mais icônicos de sua trajetória: o Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, onde iniciou a sua trajetória política como líder dos metalúrgicos. Foi lá que ele comandou multidões de operários reunidos em assembleias durante as greves que desafiaram a ditadura militar no final dos anos 1970 e que projetou Lula como líder sindical e referência da esquerda brasileira.
Foi na esteira da agitação sindical, com capital político consolidado entre uma classe operária relevante para o país e apoiado por intelectuais e militantes da Igreja Católica que Lula liderou a construção do PT em 1980 e, três anos depois, da CUT (Central Única dos Trabalhadores), que se tornaria a maior central sindical da América Latina. Pelo partido que fundou, ele irá para a sua sétima disputa presidencial — perdeu em 1989, 1994 e 1998 e venceu em 2002, 2006 e 2022.
Continua após a publicidadeEm nome do pai
Já Flávio Bolsonaro escolheu a Praia de Copacabana como lugar de partida de sua campanha ao Palácio do Planalto, em uma tentativa de reforçar a conexão com o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e consolidar a imagem de que é hoje o principal líder da direita e da oposição na cruzada eleitoral para derrotar Lula.
Foi em Copacabana que Bolsonaro liderou grandes atos públicos, como em 7 de setembro de 2022, quando era presidente da República, na reta final da campanha pela reeleição — que acabou perdendo. Em um discurso duro, atacou Lula, a quem chamou de “quadrilheiro”, conectou o petismo a ditaduras de esquerda na América Latina, defendeu pautas conservadoras e disparou críticas ao Supremo Tribunal Federal, pelo qual seria condenado à prisão exatamente três anos depois em setembro de 2025, por tentativa de golpe de Estado.
No mesmo local, Bolsonaro, com o apoio de aliados importantes como o pastor Silas Malafaia, liderou outras grandes manifestações, como em abril de 2024, quando atacou de forma mais dura o STF, contestou a derrota eleitoral em 2022 (disse que foi arrancado do poder pelo “sistema”), defendeu a anistia aos presos pelos distúrbios de 8 de janeiro de 2023 e elogiou o bilionário sul-africano Elon Musk, dono do X, a quem chamou de “mito da liberdade” por seu enfrentamento contra a “censura” que o Supremo estaria impondo ao país.
Continua após a publicidadeOutros contextos
Tanto Lula quanto Flávio, no entanto, voltam a esses redutos em um momento político bem diferente de quando eles se tornaram icônicos para o petismo e o bolsonarismo.
Lula encontrará um ABC que vive outro momento histórico, com a perda de força do sindicalismo em razão das mudanças profundas no perfil da classe trabalhadora, que o petismo, incluindo o presidente, tem dificuldades para compreender. O partido, que já foi hegemônico na região, administra apenas uma prefeitura (Mauá, com Marcelo Oliveira) nas sete cidades da área — São Bernardo do Campo, berço político de Lula, é comandado por um opositor, Marcelo Lima (Podemos).
Lula cumprimenta apoiadores após participar de evento do Ministério do Trabalho e Emprego, em Brasília: petista tenta reconectar sua imagem com a de líder histórico do movimento operárioRicardo Stuckert/Divulgação Continua após a publicidadeJá Flávio tenta reencarnar o espírito político do pai, mas tem desafios gigantes pela frente, como unir a direita e a oposição a um governo que tem 49% de desaprovação, segundo a mesma pesquisa Quaest. Em que pese a consistência de sua candidatura e a sua resiliência política, em meio a tantos reveses na pré-campanha, ele terá apenas o apoio do seu PL na tentativa de chegar à Presidência.
A sua candidatura não conseguiu atrair outros aliados potenciais, como PP e Republicanos, que caminharam desde o início com seu pai na campanha de 2022, nem o União Brasil e outras siglas do Centrão, que decidiram ficar isentos da corrida presidencial. Também enfrenta a desconfiança ou o distanciamento de outros líderes da direita, como o próprio Malafaia e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que não estarão no ato deste domingo.
Também pesa contra Flávio o desmanche de sua base política no estado, que sempre foi o reduto do clã bolsonarista. Foi lá que ele abriu a sua trajetória eleitoral, aos 21 anos de idade, em 2002, quando obteve nas urnas o primeiro de seus quatro mandatos como deputado estadual. Foi pelo estado também que se elegeu senador em 2018 no rastro da onda bolsonarista que varreu o país e levou o seu pai à Presidência da República.
Continua após a publicidadeA base de direita no estado hoje se encontra bastante fragmentada. O principal revés foi a saída de cena do governador Cláudio Castro (PL), obrigado a desistir da disputa ao Senado em meio a várias investigações da Polícia Federal. Hoje a candidatura a governador pelo PL, de Douglas Ruas, tem apenas o apoio de siglas menores, como Agir, Avante e Mobiliza. Legendas do Centrão decidiram seguir outros caminhos, como União Brasil e PP, que ficarão fora da corrida ao governo, e Republicanos, que decidiu lançar o ex-governador Anthony Garotinho.
Flávio se esforça nos últimos dias para reforçar a conexão com o pai. No sábado, véspera do ato, foi até a padaria Port Food, na Barra da Tijuca, e pediu um cafezinho e um pão na chapa com leite condensado, como fazia Jair no estabelecimento. “Aqui é onde o presidente Bolsonaro tomava o café da manhã antes de começar suas agendas, inclusive com muitos que estão aqui”, lembrou Flávio. “Todo mundo com bastante saudade dele, todo mundo ciente da injustiça que ele sofreu e da farsa a que ele foi submetido”, completou o senador, ao lado da sua mãe, Rogéria Bolsonaro, candidata a deputada federal pelo Rio.
Flavio Bolsonaro, com o candidato ao governo do Rio Douglas Ruas (com o celular) e outros aliados em padaria na Barra da Tijuca, que era frequentada pelo ex-presidente Jair BolsonaroCampanha de Flávio Bolsonaro/Divulgação Continua após a publicidadePúblico é desafio para ambos
Os cenários adversos desafiam os dois candidatos, que se preocupam em atrair o maior público possível — ou, no mínimo, não produzir imagens com manifestações esvaziadas em locais que se tornaram icônicos para a esquerda e a direita exatamente por reunir multidões.
É amanhã. Lula inicia a jornada pelo tetra! Faça parte dessa história! Lançamento da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência do Brasil! pic.twitter.com/G7DoaWKVo7
— PT Brasil (@ptbrasil) August 15, 2026
FALTAM 2 DIAS!
Está chegando o grande dia! É hora de dar o primeiro passo rumo ao resgate do nosso Brasil. Vamos juntos, com força, união e esperança, escrever um novo capítulo para o nosso país.
Anota aí:
Domingo, 16/08
Concentração às 10h
Copacabana – RJO Brasil… pic.twitter.com/3kQwTtsSLY
— Partido Liberal – PL 22 (@plnacional_) August 15, 2026
As duas manifestações devem começar mais ou menos no mesmo horário. No estádio da Vila Euclides, os portões abrem às 7h, com acesso pela rua Olavo Bilac. O ato começa às 9h, com previsão de discurso de Lula por volta das 10h — ou quando tiver público suficiente para render uma boa imagem.
Já em Copacabana, o início da concentração está previsto para 10h, na altura do número 3.092 da Avenida Atlântica, próximo ao Posto 5. O espaço não será fechado, e Flávio discursará sobre um trio elétrico.
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Fonte base da analise: VEJA. Atualizacao da fonte em 16/08/2026 06:00.