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Fala, pessoas!
A Copa do Mundo continua e com ela, mais uma rodada de gentílicos que merecem atenção. Na última coluna, falamos sobre sauditas, egípcios e cabo-verdianos. Hoje, trago três casos que voltaram ao noticiário e que escondem curiosidades linguísticas interessantes.
Quem nasce na Nova Zelândia é neozelandês e o nome carrega uma viagem até a Holanda
O gentílico é neozelandês (feminino: neozelandesa; plural: neozelandeses). A formação já entrega parte da história: neo vem do grego e significa “novo”. A segunda parte, zelandês, é uma referência à Zelândia, região dos Países Baixos, na Holanda.
Foi o navegador holandês Abel Tasman quem deu nome ao território, em 1642, batizando-o de Nova Zelândia em homenagem à sua terra natal. Séculos depois, o gentílico preserva essa memória: cada vez que alguém diz “sou neozelandês”, carrega, sem saber, um pedaço da história da navegação europeia.
Uma curiosidade extra: em inglês, os neozelandeses são chamados informalmente de Kiwi, nome do pássaro símbolo do país. Na língua portuguesa, esse apelido é usado também, especialmente no contexto esportivo, mas o gentílico oficial continua sendo neozelandês.
Continua após a publicidadeQuem nasce na Tchéquia é tcheco, mas checo também está certo
Dois gentílicos válidos para o mesmo país: tcheco e checo. No feminino, tcheca ou checa. No Brasil, a forma com tch é mais frequente, provavelmente por influência da grafia do nome do país em português (Tchéquia) e do hábito de representar esse som inicial com o dígrafo.
Já em Portugal, checo tende a ser mais comum. A diferença não é erro de nenhum dos lados: é variação legítima entre as normas do português brasileiro e do português europeu.
Vale lembrar que o país também é conhecido como República Tcheca, nome mais antigo e ainda amplamente usado, especialmente em contextos formais e esportivos. Tchéquia é a forma oficial adotada pelo próprio governo do país desde 2016, mas as duas convivem nos textos em português sem problemas.
Quem nasce em Gana é ganês
Continua após a publicidadeO gentílico consagrado é ganês (plural: ganeses). A forma ganense existe e aparece em alguns registros, mas é menos comum e raramente aparece nos principais dicionários da língua.
Um detalhe de pronúncia que merece atenção: a tonicidade cai na última sílaba: ga-NÊS. O acento circunflexo no ê já sinaliza isso, mas na fala informal é comum ouvir variações. A forma padrão, tanto na escrita quanto na pronúncia, é ganês.
Língua e Copa: uma combinação que rende muito
Três países, três histórias diferentes, três formas de como o português resolve o desafio de nomear quem vem de longe. Neozelandês guarda uma viagem até a Holanda do século XVII. Tcheco convive com checo sem que nenhum esteja errado. Ganês segue uma lógica de sufixo que o português usa há séculos.
A Copa do Mundo é, entre outras coisas, um lembrete de que a língua portuguesa tem resposta para quase tudo e que essas respostas costumam ser mais interessantes do que parecem à primeira vista.
Continua após a publicidadeAgora que você já sabe escrever os gentílicos corretamente, que tal aproveitar a Copa para explorar a história e a cultura dos países participantes? Você encontra tudo isso no meu projeto “Na Trilha dos Craques”: https://youtu.be/cpx0KODjIsE?si=sZq24IQqyBLb71mZ
Nos vemos na próxima coluna!
Até mais!
Professor Noslen Borges
www.professornoslen.com.br
Revisão textual: Profª. Ma. Glaucia Dissenha
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Fonte base da analise: VEJA. Atualizacao da fonte em 18/06/2026 08:00.