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Modelos, apesar de terem elevadores, não oferecem o mesmo nível de acessibilidade das configurações de piso baixo com rampa
ADAMO BAZANI e ARTHUR FERRARI
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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, confirmou na manhã de domingo, 21 de junho de 2026, que a cidade de fato vai ter ônibus elétricos de piso alto. A informação já havia sido veiculada pelo Diário do Transporte.
A SPTrans está analisando ao menos dois modelos. O que chama a atenção é que um desses ônibus é de 12 metros, que rodam em vias maiores. Os veículos são modelo Caio Apache Vip V, com tecnologia Blu Eletric, fabricantes ligadas a empresários de ônibus da capital paulista. Os modelos, apesar de terem elevadores, não oferecem o mesmo nível de acessibilidade das configurações de piso baixo com rampa.
Segundo Nunes, a inclusão das unidades de piso alto será excepcional, apenas em itinerários onde o piso baixo pode ter dificuldade por causa das condições viárias.
“A gente vai usar o piso alto porque tem situações em partes do bairro que você não consegue ter o piso baixo porque o ônibus agarra. Então não adianta ter todos os ônibus com piso baixo e o veículo não poder transitar nas regiões periféricas da cidade. A gente tem que ter esse tipo de transporte em todos os cantos da cidade” – disse Nunes.
Na última quarta-feira, 17 de junho de 2026, o conselho de Transportes Públicos e Trânsito da cidade criticou a medida. Segundo os conselheiros, a prefeitura não disponibilizou ainda a relação das vias e itinerários onde supostamente os ônibus de piso baixo não poderiam circular.
Os membros dizem ainda que não há fundamentação técnica disponibilizada para esta escolha de forma detalhada e ainda alegam que a diferença de altura entre o assoalho dos ônibus de piso baixo para os degraus de piso alto não é tão relevante e que a real motivação pode estar no preço destes veículos, que é menor, e porque as fabricantes são ligadas os empresários de ônibus, ainda mais a Blu Eletric de tecnologia, uma vez que a encarroçadora Caio, da família Ruas, fornece carrocerias para versões de piso baixo.
As declarações foram feitas durante a apresentação de 500 ônibus elétricos na região da Marginal Tietê, onde o Diário do Transporte esteve no domingo (21).
Relembre
VÍDEO: De 500 ônibus elétricos entregues neste domingo (21), 490 são de três marcas de tecnologia
Com a apresentação destes 500 ônibus elétricos, entre os quais, 104 articulados, elevando de 1259 para 1759 unidades, a frota é a maior do País. Mesmo assim, o número é pequeno, representando apenas 13,07% da frota total de 13.460 coletivos e ainda abaixo da meta de 2,6 mil elétricos que deveria ter sido alcançada em dezembro de 2024. Como há dificuldades de renovação de frota, a prefeitura permite ônibus a diesel mais velhos, de até 14 anos.
Confira a declaração do prefeito Ricardo Nunes e do Secretário de Mobilidade Urbana e Transporte Celso Caldeira na íntegra
Adamo Bazani
Prefeito, ainda sobre a questão do ônibus de piso alto e piso baixo. Na última reunião do conselho eles reclamaram que a Prefeitura ainda não disponibilizou a relação das vias e dos itinerários que devem receber esses veículos. Há essa previsão dessa disponibilização? E já aproveitando, o senhor falou da caducidade. No Tribunal de Contas do município já tem o edital da Transwolf. Quais são agora os próximos passos e por que não disponibilizar também essa proposta de edital para a sociedade, já que está como documento restrito ainda?
Ricardo Nunes
Com relação à questão da acessibilidade. Eu estou aqui do lado da Silvia Greco, nossa secretária da Pessoa com Deficiência. São Paulo não vai abrir mão das suas políticas públicas de meio ambiente, tanto é que eu acabei de relatar isso aqui para vocês. Então, a gente não abre mão das nossas políticas públicas de ser uma cidade acessível, de ser uma cidade que está dando exemplo para o Brasil e para o mundo de como a gente trata essa questão da acessibilidade.
Agora, o que acontece é o seguinte, você tem vias que, obviamente, o nível da via, o piso baixo, ele enrosca. Até foi muito importante que você, na forma séria de fazer jornalismo, colocou lá um vídeo onde os ônibus e enroscam. Não adianta a gente ter o piso baixo e ele não conseguir transitar, aí não adianta.
O importante é dizer o seguinte, que todos eles, 100% deles, são acessíveis, porque eles têm o elevador para acesso de cadeirantes. Então, a colocação de cadeira, em todos eles você tem o espaço preservado. Então, nós temos 100% da nossa frota de ônibus acessíveis.
A questão do piso baixo é somente uma questão do nível das ruas. A gente, nessa cidade de São Paulo, tem a questão do seu relevo. Do nível das ruas, eu não posso ter um piso baixo no local que o ônibus não consegue passar.
Com relação à disponibilização das vias, eu não sei se o Celso (Caldeira) tem alguma informação sobre isso.
Celso Caldeira
O que acontece é que os estudos são absolutamente individuais. Empresa por empresa, a depender do itinerário, a equipe técnica do SP Trans, aprova ou não aprova.
Importante salientar, prefeito, que a proposta de adotar piso alto em razão do relevo das regiões foi passada na Comissão Permanente de Acessibilidade, que, por sua unanimidade, aprovou a adoção desses modelos, onde as vias, justificadamente, assim o permitem.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte
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Fonte base da analise: diariodotransporte.com.br. Atualizacao da fonte em 22/06/2026 17:39.