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Prefeitura de Campinas rejeita oficialmente proposta da Sancetur para colocar 320 ônibus no sistema após anulação de licitação

I9vando | Radar da MobilidadePrefeitura de Campinas rejeita oficialmente proposta da Sancetur para colocar 320 ônibus no sistema após anulação de licitaçãoAdministração diz que transporte continuará com atuais operadoras

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Prefeitura de Campinas rejeita oficialmente proposta da Sancetur para colocar 320 ônibus no sistema após anulação de licitação
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Prefeitura de Campinas rejeita oficialmente proposta da Sancetur para colocar 320 ônibus no sistema após anulação de licitação

Administração diz que transporte continuará com atuais operadoras em contratos transitórios até conclusão da concorrência; empresa havia oferecido veículos fabricados entre 2024 e 2026, além de estrutura operacional A...

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Administração diz que transporte continuará com atuais operadoras em contratos transitórios até conclusão da concorrência; empresa havia oferecido veículos fabricados entre 2024 e 2026, além de estrutura operacional

ADAMO BAZANI

A Prefeitura de Campinas (SP) decidiu não avançar, neste momento, com a proposta da Sancetur – Santa Cecília Turismo Ltda. para colocar até 320 ônibus no transporte coletivo da cidade em uma operação emergencial. A empresa, que havia vencido o Lote Sul da licitação posteriormente anulada pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo), ofereceu veículos fabricados entre 2024 e 2026, além da estrutura necessária para operar.

A administração municipal informou que o sistema continuará sendo atendido pelas empresas atuais, por meio dos contratos vigentes mantidos de forma transitória enquanto é conduzido o processo para uma nova concessão. A manifestação encerra, pelo menos por enquanto, a possibilidade levantada após a decisão do TCE de a Sancetur entrar antecipadamente no sistema por meio de uma solução emergencial.

O Diário do Transporte mostrou em 21 de agosto de 2026 que a Sancetur havia colocado os 320 ônibus à disposição da prefeitura e que o prefeito Dário Saadi havia confirmado o recebimento da oferta, informando na ocasião que a proposta seria analisada.

A empresa dizia possuir veículos disponíveis para mobilização imediata, sem necessidade de aguardar novas encomendas às fabricantes de ônibus.

Além da frota, a Sancetur afirmou que poderia disponibilizar estrutura operacional, trabalhadores, manutenção, tecnologia de bilhetagem e monitoramento.

Agora, a posição da administração municipal indica que esta alternativa não será adotada.

Em nota, a Secretaria Municipal de Transportes informou que o sistema continua funcionando com os contratos existentes, mantidos transitoriamente até que seja concluída a licitação.

Segundo a pasta, “a operação é permanentemente fiscalizada e, sempre que são identificadas inadequações na prestação do serviço, são cumpridas as medidas previstas nos contratos e na legislação”.

PREFEITURA HAVIA DITO QUE ANALISARIA OFERTA

A proposta da Sancetur foi formalizada em ofício encaminhado ao prefeito Dário Saadi em 19 de agosto de 2026, justamente no período em que o TCE determinou a anulação da licitação do transporte coletivo.

Na ocasião, a prefeitura confirmou o recebimento do documento e informou que o material havia sido encaminhado para análise técnica.

A Sancetur sustentou que poderia colocar imediatamente à disposição de Campinas até 320 ônibus fabricados entre 2024 e 2026.

A empresa argumentou ainda que já dispunha dos veículos, não sendo necessário esperar pela fabricação de novos ônibus, e afirmou possuir estrutura e capacidade operacional para uma mobilização rápida.

A oferta foi apresentada para uma eventual operação emergencial e, segundo a própria Sancetur, não tinha como objetivo interferir no processo licitatório nem antecipar decisões administrativas ou judiciais sobre a concessão definitiva.

A possibilidade de contratação também nunca foi automática.

Como destacou o Diário do Transporte ao revelar os detalhes da proposta, qualquer entrada emergencial de uma nova operadora dependeria de decisão administrativa da prefeitura, análise jurídica e demonstração das condições legais que justificassem uma contratação dessa natureza.

PREFEITURA OPTA PELA CONTINUIDADE DOS CONTRATOS ATUAIS

Com a manifestação mais recente da administração municipal, a solução escolhida para atravessar o período até a conclusão da nova concorrência continua sendo a manutenção das empresas que já atendem Campinas.

Os contratos foram prorrogados justamente para permitir a continuidade da operação durante a transição para a futura concessão.

A Câmara Municipal aprovou em abril de 2026 a possibilidade de extensão dos atuais contratos por dois anos.

A decisão da prefeitura de não avançar com a proposta da Sancetur ocorre apesar dos problemas de operação e envelhecimento da frota que vêm sendo reconhecidos pela própria administração municipal.

Dados oficiais da Emdec já mostraram quantidade elevada de autuações por descumprimento de viagens programadas, falta de ônibus e atrasos.

Em fevereiro de 2026, por exemplo, a administração determinou às operadoras que colocassem 100% da frota operacional programada nas ruas depois de problemas de disponibilidade, principalmente em linhas da VB3.

Em outro balanço, a Emdec informou que somente em 2025 foram aplicadas 39,3 mil autuações aos operadores, sendo 32,8 mil relacionadas ao descumprimento de viagens programadas.

Já em junho, o órgão informou que mais de 25 mil autuações haviam sido registradas em 2026 por problemas como descumprimento de partidas, ausência de veículos e atrasos. Aproximadamente 22 mil estavam relacionadas a viagens não realizadas em razão de quebra ou falta de ônibus.

SANCETUR USOU PROBLEMAS DA FROTA PARA JUSTIFICAR OFERTA

Foi justamente esse cenário que a Sancetur utilizou para justificar a proposta apresentada ao município.

A empresa citou em seu documento 24,1 mil ocorrências de quebras e faltas de ônibus no primeiro semestre de 2026, alta de 13% em comparação com igual período de 2025, além de mencionar multas aplicadas às atuais operadoras.

Como ressaltou anteriormente o Diário do Transporte, esses números específicos faziam parte da argumentação apresentada pela própria Sancetur e, portanto, deveriam ser atribuídos à empresa.

Há, entretanto, informações oficiais da administração municipal que confirmam problemas relacionados à idade da frota, quebras e indisponibilidade de veículos.

A própria Emdec informou que 267 ônibus novos ou seminovos foram incorporados ao sistema entre 2021 e 2025, dos quais 110 somente em 2025, mas relacionou parte dos problemas operacionais ao envelhecimento da frota.

SANCETUR TINHA VENCIDO LOTE SUL

A situação também chama atenção porque a Sancetur não apareceu agora pela primeira vez no processo de reorganização dos transportes de Campinas.

A empresa havia sido considerada vencedora do Lote Sul da nova concessão.

No leilão realizado em 5 de março de 2026 na B3, em São Paulo, a Sancetur apresentou tarifa de remuneração de R$ 9,54 por passageiro no Lote Sul, contra um valor máximo de R$ 11,21 estabelecido pelo edital.

O Consórcio Andorinha ficou logo atrás, com R$ 9,55.

A tarifa de remuneração não corresponde ao valor pago pelo passageiro na catraca. É o parâmetro econômico utilizado para remunerar a prestação do serviço.

A concorrência completa prevê dois grandes lotes e contratos estimados em aproximadamente R$ 11,8 bilhões ao longo de 15 anos.

Mas a vitória no leilão não chegou a resultar no início da operação da Sancetur.

TCE MANDOU ANULAR LICITAÇÃO

Em 19 de agosto, o TCE determinou a anulação da licitação e a necessidade de refazer etapas da concorrência.

Como mostrou o Diário do Transporte, a decisão não ocorreu especificamente por causa da vitória da Sancetur.

O foco do julgamento foram falhas técnicas e administrativas apontadas na condução do processo pela própria administração municipal, particularmente aspectos relacionados à modelagem econômica e às alterações realizadas durante a concorrência.

Também é necessário diferenciar essa decisão das denúncias de suposto conluio empresarial que haviam sido apresentadas anteriormente ao Tribunal de Contas.

O TCE chegou a analisar questionamentos sobre possíveis relações entre grupos participantes da concorrência, mas a decisão que levou à anulação não estabeleceu que a Sancetur tenha vencido o Lote Sul por fraude nem condenou individualmente a empresa por irregularidade na disputa.

Na prática, a determinação do tribunal retirou a validade do resultado que colocava a Sancetur no Lote Sul e o Consórcio Grande Campinas no Lote Norte e obrigou o município a reorganizar o processo para escolha das empresas que deverão operar o sistema pelos próximos 15 anos.

OFERTA SURGIU NO MESMO DIA DA DECISÃO DO TCE

Foi neste contexto que a Sancetur apresentou a proposta dos 320 ônibus.

Horas depois da decisão do TCE, a companhia colocou a frota à disposição do município para uma eventual operação emergencial, desde que fossem observados os procedimentos legais.

A movimentação abriu uma segunda discussão.

Além de definir como seria refeita a concorrência para a concessão definitiva, a prefeitura passou a ter diante de si uma proposta de uma empresa externa ao atual sistema para uma possível intervenção de curto prazo na operação.

O Diário do Transporte mostrou na ocasião que a oferta ampliava a pressão sobre a administração municipal justamente porque Campinas precisava conciliar dois problemas: concluir uma nova licitação e, simultaneamente, manter a regularidade dos ônibus enquanto a solução definitiva não chegasse.

Com a posição agora apresentada pela prefeitura, a segunda hipótese não avançará neste momento.

Os atuais operadores continuam responsáveis pelo transporte coletivo e sujeitos à fiscalização e às penalidades previstas contratualmente, enquanto Campinas tenta concluir novamente o processo para definir quem comandará o sistema pelos próximos anos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Fonte base da analise: diariodotransporte.com.br. Atualizacao da fonte em 01/09/2026 17:24.

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