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Centenas de manifestantes entraram em confronto com a polícia no centro de Santiago, capital chilena, nesta quinta-feira, 3, em um protesto contra um pacote de reformas de segurança proposto pelo presidente de extrema direita, José Antonio Kast. As medidas linha dura contra o crime têm sido duramente criticadas pela oposição, e até por membros do governo.
Os manifestantes foram dispersados pelos policiais com jatos d’água e bombas de gás lacrimogêneo ao avançarem pela Plaza Italia entre os veículos antidistúrbio. “Igual ao Pinochet!”, gritavam alguns contra Kast, comparando-o ao ditador militar que governou de 1973 a 1990.
Estado de emergência: propostas controversas
A proposta do presidente, que assumiu o poder em março com a promessa de lidar com o aumento da violência com mão dura, inclui oito modificações à Constituição para enfrentar o crime organizado.
A mais criticada é a criação de um novo estado de exceção, que poderia se estender até oito meses em caso de grave ameaça à segurança pública, sem aprovação do Congresso. Sob este mecanismo, as autoridades poderiam restringir liberdades de locomoção e reunião em locais públicos, além de interceptar comunicações na vigilância das áreas declaradas em emergência.
Continua após a publicidade“Ele está se atribuindo poderes que um presidente não deveria ter em uma democracia. Kast está realmente em um ponto muito extremo”, disse à agência de notícias AFP a estudante de administração pública Camila Aramena, de 22 anos.
Denúncias
As reformas, que ainda precisam ser debatidas no Congresso, despertaram críticas da ONG Human Rights Watch e de líderes da oposição e da própria base governista.
Continua após a publicidadeO Chile é um dos países mais seguros da América Latina, embora delitos graves, como assassinatos e sequestros, tenham aumentado nos últimos anos com a chegada de grupos criminosos estrangeiros, como o Tren de Aragua, da Venezuela.
A taxa de homicídios foi de 5,4 por 100.000 habitantes em 2025, o dobro de uma década atrás. Já os sequestros aumentaram quase 30% entre 2022 e 2024 e seguem em tendência de crescimento.
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Fonte base da analise: VEJA. Atualizacao da fonte em 03/09/2026 15:56.