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“Eu sinto que a IA já assumiu. O gerente não consegue mais recorrer de uma decisão da inteligência artificial“. A avaliação de Luiz Calado, CEO da Trustbond, deu o tom do painel “Humanos para quê?”, que discutiu o avanço da tecnologia como ferramenta de suporte para tomadas de decisão no sistema financeiro.
O debate faz parte do São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação, que é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira (13) e sexta-feira (15). Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre outros assuntos.
A discussão reuniu executivos do Santander, Equifax, Fenasbac e Trustbond para debater um cenário que, segundo os participantes, já deixou de ser futurista. “A gente deu um pulo recentemente e IA virou assunto como futebol, religião e política”, afirmou Rodrigoh Henriques, diretor de inovação e estratégia da Fenasbac. Segundo ele, o mercado entrou numa nova fase, marcada pelas chamadas IAs agênticas, sistemas capazes de tomar decisões de forma autônoma.
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A redefinição do humano
Henriques conduziu boa parte do painel em torno da provocação central “o que sobra para o humano quando algoritmos passam a decidir crédito, investimentos e risco?” Para Calado, a automatização das decisões financeiras já acontece há anos, mas o espaço para interferência humana vem diminuindo rapidamente.
Ele lembrou que modelos de crédito já operavam de forma automatizada desde os anos 2000, mas afirmou que antes existia maior margem para que gerentes revisassem casos específicos com base em contexto e relacionamento.
“Hoje tem menos espaço para intervenção humana”, disse Calado.
Ao mesmo tempo, alertou para um limite que a tecnologia ainda não consegue capturar completamente. “Fora os dados que o sistema traz, tem uma coisa da pessoalidade.”
Ricardo Leite Raposo, vice-presidente de dados e analytics da Equifax, defendeu que decisões automatizadas também ampliaram a inclusão financeira. Segundo ele, modelos de análise baseados em IA reduziram distorções causadas por vieses humanos e permitiram que milhões de pessoas passassem a acessar crédito. “Você dependia muito do viés das pessoas. Hoje, milhões e milhões de pessoas passam a ter acesso a crédito”, afirmou.
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Entre eficiência e risco moral
Ao longo do debate, os executivos concordaram que o principal desafio, e a discussão como um todo, se debruça sobre a parte ética do debate. Leandro Pupe Nobrega, head de Open Data & AI do Santander, afirmou que automação sem mecanismos de responsabilidade “não é inovação, é risco para o sistema”. Segundo ele, o setor financeiro trabalha com confiança e decisões sensíveis demais para abrir mão de supervisão humana e rastreabilidade.
Henriques foi além. “Esses modelos, pelo volume de conteúdo que nós mesmos cedemos, tendem a conhecer a gente melhor do que nós mesmos.” Para ele, o avanço da IA nas finanças abre espaço tanto para personalização quanto para manipulação de comportamento. “É muito mais um limite moral.”
O debate também passou pelos riscos de decisões opacas. Raposo afirmou que o mercado ainda tenta entender os impactos reais da IA em larga escala e comparou o processo ao setor de saúde, em que novas tecnologias passam por supervisão gradual antes de ganhar autonomia total. “A gente deveria se espelhar nesse modelo, colocando IA sob controle e medindo impacto.”
Na reta final, os participantes defenderam que o futuro do setor será constituído por sistemas cada vez mais personalizados, invisíveis e integrados à rotina financeira dos clientes. Ao mesmo tempo, alertaram que tecnologia não elimina fragilidades humanas.
“A IA não vai nos salvar das nossas más decisões”, resumiu Calado.
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Fonte base da analise: einvestidor.estadao.com.br. Atualizacao da fonte em 13/05/2026 16:03.