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Por que essa noticia importa
Esse tipo de conteudo ajuda operadores, empreendedores e gestores a entenderem melhor as mudancas do setor, identificarem oportunidades e acompanharem tendencias que podem impactar a operacao.
A cerveja depende do campo, e o campo depende do clima. Por isso, na Ambev, a área de sustentabilidade está sob o mesmo guarda-chuva da de suprimentos. Felipe Baruque, vice-presidente responsável pelas duas frentes, afirma que a combinação não é casual: as decisões ambientais, diz ele, precisam estar dentro do negócio, e não em um departamento isolado. O risco climático é concreto. “Não tenho dúvida de que o aquecimento global e as variações climáticas são reais e causam impacto”, afirma Baruque, em entrevista ao programa VEJA+Verde. “Grande parte dos cultivos de inverno (como a cevada utilizada na cerveja), está no Sul do Brasil, na Argentina e no Uruguai. Quando há períodos de chuva muito intensa no fim do ano, que é a época da colheita, uma safra inteira pode ser destruída.”
Para reduzir essa vulnerabilidade, a empresa mantém engenheiros agrônomos em campo para acompanhar as safras de cevada dos produtores parceiros e usa os dados coletados para alimentar seu programa próprio de pesquisa de grãos. O melhoramento genético tradicional, que pode levar mais de dez anos de cruzamentos, passou a mirar não apenas produtividade e qualidade da cerveja, mas também variedades mais resistentes às oscilações do clima e que exijam menos fertilizantes e defensivos.
Metas públicas
A Ambev acaba de encerrar um ciclo de metas públicas, definido em 2018, com quatro pilares: água, agricultura, energia e carbono, e embalagens circulares. O compromisso de comprar 100% da eletricidade de fontes renováveis foi cumprido no Brasil e nos demais países em que a empresa atua, com exceção da Bolívia, por questões regulatórias. “Quando nos desafiamos a ter 100% da eletricidade comprada de fontes renováveis, não tínhamos ideia de como isso ia acontecer. Não havia tecnologia nem retorno garantido para os investimentos”, lembra Baruque.
Em seguida, a empresa passou a trocar óleo e gás natural por biomassa e biometano nas caldeiras. O resultado é que o grosso das emissões está hoje fora das fábricas. “Reduzimos tanto as emissões de carbono dentro dos nossos muros que hoje quase 90% delas estão nos nossos fornecedores ou nos nossos clientes. Agora, precisamos pegar o que aprendemos e ensinar nossos mais de 20.000 fornecedores a descarbonizar seus processos também”, diz.
Continua após a publicidadeO valor da água
A água, insumo que Baruque classifica como o mais importante e preocupante para a companhia, é outro eixo central. Em vinte anos, a Ambev reduziu em mais de 50% o consumo de água na fabricação de bebidas, quase 20% apenas nos últimos cinco anos. “Saímos de mais de 5 litros de água para cada litro de cerveja produzida, muitos anos atrás, para menos de 2,4 litros hoje. Isso dá orgulho, mas ainda temos muito a fazer”, afirma. A eficiência hídrica é um dos principais indicadores de desempenho dos gestores das fábricas, que contam com controladores de vazão e outras tecnologias para reduzir desperdícios.
Mais recentemente, a empresa passou a atuar também fora de suas unidades, em onze bacias hidrográficas sob estresse hídrico na América do Sul, sete delas no Brasil. Em parceria com organizações como WWF, The Nature Conservancy e Fundação Avina, além da Embrapa, que pesquisa quais espécies nativas deveriam ocupar cada margem, o programa Bacias e Florestas já plantou mais de 3 milhões de árvores em matas ciliares, com o objetivo de aumentar a quantidade e a qualidade da água disponível para as comunidades do entorno. Já a AMA, marca de água mineral que tem todo o lucro revertido para projetos sociais, como a construção de cisternas no Semiárido, beneficiou mais de 3 milhões de pessoas.
Continua após a publicidadeNas embalagens, a meta era que todo o portfólio fosse retornável ou feito majoritariamente de material reciclado. O índice chegou a mais de 70%: no Brasil, o objetivo foi alcançado, mas em outros países da América do Sul esbarrou em dificuldades regulatórias e na falta de cadeias de reciclagem estruturadas. O Brasil é referência mundial no uso de garrafas de vidro retornáveis, e, nas de uso único, o conteúdo reciclado gira em torno de 50%. No caso do plástico PET, o material reciclado passou de menos de 20%, em 2018, para mais de 40%, em média. Para avançar mais, diz Baruque, será preciso mudar o comportamento do consumidor. “É muito mais cômodo para o consumidor simplesmente consumir o produto, amassar a embalagem, jogá-la no lixo misturado e não fazer nada com isso”, afirma. A próxima rodada de compromissos da empresa, ainda em discussão, deve aprofundar os temas de clima, agricultura e água.
O VEJA+Verde, conduzido pelo editor Diogo Schelp, traz empresários, personalidades, gestores públicos e especialistas para apresentar suas visões e soluções sobre um dos maiores desafios para a sobrevivência da humanidade: conciliar desenvolvimento econômico e social com preservação do meio ambiente. O programa pode ser assistido toda quinta-feira, às 17h, nos canais Samsung TV Plus canal 2059, LG Channels canal 126, TCL Channel 10031 e Roku 221, além de estar disponível no YouTube de VEJA.
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Fonte base da analise: VEJA. Atualizacao da fonte em 02/10/2026 08:58.