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Setor de distribuição de combustíveis abastece quase 100% dos municípios

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Setor de distribuição de combustíveis abastece quase 100% dos municípios
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Setor de distribuição de combustíveis abastece quase 100% dos municípios

Antes de o motorista chegar ao posto para abastecer o carro, refinarias no litoral já processaram o petróleo, caminhões-tanque percorreram centenas de quilômetros na madrugada e bases de armazenamento garantiram que o...

O portal da I9vando acompanhou uma nova atualizacao relevante em jota.info para manter visitantes e clientes informados sobre o mercado de mobilidade urbana.

Por que essa noticia importa

Esse tipo de conteudo ajuda operadores, empreendedores e gestores a entenderem melhor as mudancas do setor, identificarem oportunidades e acompanharem tendencias que podem impactar a operacao.

Antes de o motorista chegar ao posto para abastecer o carro, refinarias no litoral já processaram o petróleo, caminhões-tanque percorreram centenas de quilômetros na madrugada e bases de armazenamento garantiram que o combustível estivesse disponível. Quem coordena esse fluxo é o setor de distribuição de combustíveis e lubrificantes, responsável por movimentar R$ 881 bilhões por ano, empregar 447 mil pessoas e abastecer 99% dos municípios brasileiros.

A dimensão dessa operação está mapeada em um panorama setorial recém-atualizado pela LCA Consultoria Econômica, encomendado pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom). Com ano-base 2025, o estudo mostra que o setor movimentou 137 bilhões de litros de combustível em 2025, o que resultou em 3,7 milhões de viagens rodoviárias, o equivalente a 83 voltas ao redor da Terra por dia, percorridas pelos caminhões-tanque.

Essa capilaridade reflete a importância do setor na matriz energética brasileira, em que derivados de petróleo e biocombustíveis líquidos respondem por 45% da oferta de energia. O setor de transportes, em particular, concentra 62% desse consumo, dependendo quase exclusivamente desses energéticos. Para João Victor Marques Cardoso, pesquisador da FGV Energia, a distribuição de combustíveis é uma infraestrutura do Estado. “A garantia do suprimento contínuo requer uma logística eficiente, capaz de atender às necessidades dos grandes aos menores consumidores”.

A eficiência logística descrita por Cardoso é sustentada por uma robusta espinha dorsal. Atualmente, o Brasil opera 16 refinarias com capacidade de 2,31 milhões de barris por dia, 360 usinas de etanol e 58 de biodiesel, além de importar cerca de 30% do diesel e 10% da gasolina consumidos. 

Toda essa oferta, gerada em pontos específicos, precisa chegar diariamente aos consumidores espalhados pelo território nacional. Para isso, 189 distribuidoras autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) operam por meio de 360 bases regionais, 45 mil postos e 632 Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs), presentes em 5,5 mil cidades.

Na visão de David Zylbersztajn, presidente do Conselho de Administração do Sindicom, essa rede protege a segurança energética do país. “A distribuição conecta a produção ao consumo. Sem ela, o país ficaria mais vulnerável a oscilações internacionais e crises geopolíticas, com maior risco de desabastecimento, sobretudo em regiões distantes dos centros produtores”, afirma.

Essa relevância estratégica é acompanhada por uma complexidade técnica, já que a operação vai além do transporte. As distribuidoras realizam as misturas obrigatórias de biocombustíveis: em dezembro de 2025, a regulamentação exigia 30% de etanol anidro na gasolina e 15% de biodiesel no diesel, conforme a Resolução do Conselho Nacional de Política Energética 9/2025. 

Para garantir o padrão de qualidade nessas misturas, o setor mantém uma capacidade de tancagem de 4,9 bilhões de litros. “Isso exige uma operação altamente coordenada, com investimentos permanentes em infraestrutura e controle de qualidade”, acrescenta Zylbersztajn.

Toda essa estrutura reflete diretamente na formação do preço dos combustíveis. No caso do valor final do diesel, por exemplo, o custo de produção ou importação representa 61%, os tributos correspondem a 16% e a parcela de biodiesel a 10%. 

Já a margem de distribuição e revenda equivale a 13% do preço do diesel. Essa parcela envolve a armazenagem, formação de estoques, mistura obrigatória e gestão de riscos para garantir o abastecimento contínuo, conforme explica Gustavo Madi, da LCA Consultoria. 

Além dessa divisão, a dinâmica de preços é pautada por variáveis externas fundamentais, como a cotação internacional do petróleo e a variação cambial. O dólar atua como um regulador direto desse impacto, podendo elevar o valor na bomba mesmo quando o preço do barril permanece estável, uma vez que o país depende da importação para complementar sua oferta interna, especialmente no caso do diesel.

Dentro dessa composição, a margem bruta das revendedoras e distribuidoras representa uma parcela proporcionalmente pequena, de 13% do preço final pago pelo motorista. Esse índice é mantido em patamares reduzidos pela forte competitividade entre as empresas do setor, o que funciona como um mecanismo de eficiência e controle de custos. 

  • Leia mais: Focar na distribuição de combustíveis é mirar no alvo errado

A importância de manter essa estrutura operacional e financeiramente saudável torna-se ainda mais evidente ao se observar as consequências de uma eventual falha no suprimento. Estudos do Banco Central e da FGV indicam que uma interrupção de apenas nove dias no transporte rodoviário tem o potencial de gerar perdas entre 0,5% e 0,7% do PIB, o que equivale a um prejuízo de R$ 9,1 bilhões por dia. 

De acordo com Gustavo Madi, esse impacto bilionário ocorre porque uma paralisação afeta simultaneamente todas as cadeias produtivas, do agronegócio ao abastecimento urbano, ao interromper de forma sistêmica a produção, o consumo e a circulação de mercadorias em todo o país. “A estimativa busca traduzir economicamente essa interrupção sistêmica, refletindo perdas de produção, consumo e circulação de mercadorias”, diz Madi.

Além do impacto operacional, o setor é um pilar da arrecadação pública, gerando R$ 232 bilhões em tributos em 2025 – um crescimento real de 10,8%, superando a inflação e o aumento do volume vendido. Esse fenômeno ocorre porque a tributação é definida, em grande medida, por valores fixos por litro, sendo sensível a reonerações e mudanças no perfil de consumo.

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Investimentos de longo prazo

Olhando para o futuro, empresas da cadeia de petróleo destinaram R$ 4,2 bilhões a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em 2024, sendo R$ 1,2 bilhão voltado especificamente à modernização da logística, automação operacional e infraestrutura de distribuição, segundo dados do setor reunidos pela LCA Consultoria. Há iniciativas em etanol de segunda geração, diesel com componente renovável e combustível de aviação sustentável, além de aportes em terminais multimodais, dutos e bases nas regiões Norte e Nordeste.

Para Cardoso, da FGV Energia, a chegada de novos tipos de combustíveis ao mercado exigirá adaptações estruturais da cadeia. “À medida que a expansão desses mercados dependa de ganhos de escala impulsionados por instrumentos de estímulo à demanda, como os mandatos de mistura de Diesel Verde e de combustível de aviação sustentável, tornam-se necessários investimentos adicionais em infraestrutura de armazenamento, movimentação e distribuição”, aponta.

Para Zylbersztajn, esse caminho passa pela manutenção de um ambiente regulatório estável, além de planejamento de longo prazo e elevados volumes de capital. “Quanto maior a confiança nas regras do mercado, maior será a capacidade de atrair investimentos e ampliar a eficiência da cadeia de abastecimento”, diz.

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Fonte base da analise: jota.info. Atualizacao da fonte em 09/07/2026 09:00.

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