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Por que essa noticia importa
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O El Niño em curso no pacífico desde junho deve atingir o seu pico entre novembro e dezembro, com uma elevação de temperatura na superfície do oceano jamais vista na história. Segundo modelos matemáticos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas, a anomalia pode ultrapassar os +4 graus de aquecimento.
Caso se confirme, a previsão colocará o evento atual em um patamar inédito, superando em larga escala todos os fenômenos registrados em 170 anos de observação. Para fins de comparação, a elevação que caracteriza um Super El Niño fica em torno dos +2 graus pelo índice ONI (Índice Oceânico Niño) — patamar que foi atingido ainda em julho deste ano. No último boletim semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura na região de referência era de +2,7ºC.
De acordo com um levantamento da MetSul, nunca nos tempos modernos o Pacífico atingiu o patamar de Super El Niño tão precocemente como em 2026. Entre os episódios recentes, o fenômeno de 2015-2016 ganhou o status de Super El Niño apenas em novembro, quando a anomalia semanal alcançou 3,0°C na semana do dia 18. Já na temporada de 1982-1983, o patamar foi alcançado ainda mais tarde, em dezembro.
Continua após a publicidadeO fenômeno e seus efeitos
O El Niño ocorre quando ventos que empurram as correntes quentes para oeste enfraquecem ou mudam de rota, o que abre espaço para o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico tropical central e oriental. O fenômeno se instala a cada dois a sete anos, com duração de até doze meses. A questão agora é que ele atuará em um planeta já superaquecido, com recordes seguidos de limites de temperatura.
Cada El Niño é único e os impactos foram variados a longo da história. No geral, tende a gerar secas e eleva os termômetros na Austrália, no sul e centro da África, na Índia e em partes da América do Sul — no Brasil, os eventos climáticos são variados, de secas prolongadas no nordeste a tempestades e enchentes no sul. Fortes chuvas, por sua vez, podem atingir o sul dos Estados Unidos, partes do Oriente Médio e o centro-sul da Ásia.
Continua após a publicidadeA chegada de um El Niño mais intenso pode levar à ultrapassagem da marca de 1,5°C de aumento da temperatura média em relação aos níveis pré-industriais. Trata-se de um limiar crítico, e as consequências podem ser devastadoras. No Super El Niño de 1877-1878, por exemplo, foram registradas secas prolongadas, colapso de colheitas, chuvas torrenciais e fome extrema ao redor do globo.
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Fonte base da analise: VEJA. Atualizacao da fonte em 10/09/2026 09:47.