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Dono de uma longeva carreira na Universal Orlando Resort – já soma 27 anos –, o paulistano Marcos Barros costuma dizer que o sucesso profissional é resultado de trabalho intenso, dedicação genuína e muito compromisso. Mas, acima de tudo, que ninguém alcança o sucesso sozinho. Com talento indiscutível para formar um time vitorioso, o vice-presidente de Vendas e Marketing para América Latina na Universal Destinations & Experiences participou ativamente do projeto mais audacioso, inovador e imersivo da companhia: o Epic Universe.
Marcos Barros: há mais de duas décadas e meia na Universal, executivo paulistano teve papel importante na estratégia de lançamento do novo parque da companhia, o Epic, inaugurado há exato um anoReprodução/VEJAO quarto parque da Universal, que completou um ano de operação no último dia 22 de maio, provocou uma verdadeira revolução em Orlando neste curto período de tempo: impulsionou o turismo, a infraestrutura e a economia. Só nos seus 12 primeiros meses, o Epic movimentou 2 bilhões de dólares e gerou mais de 65 000 empregos, diretos e indiretos. Barros, que desde 2015 vive em Orlando, é enfático em dizer que ele é adepto da cultura que se desafia e desafia os concorrentes. E mais: que não enxerga a abertura do mais novo parque da Universal como um capítulo final, mas sim o início de uma nova fase. “Muitas novidades estão por vir”, afirma.
Veja a seguir a íntegra da entrevista com o VP da Universal, Marcos Barros:
1.Como vice-presidente de Vendas e Marketing para a América Latina na Universal Destinations & Experiences, você participou diretamente do projeto do Epic Universe? De que forma?
Tive a honra, o privilégio e a sorte de participar de um projeto absolutamente singular dentro da indústria de entretenimento. O Universal Epic Universe representa um marco não apenas para a Universal, mas para todos nós que construímos carreira nos setores de lazer, turismo e entretenimento. A concepção do projeto começou aproximadamente uma década antes da sua inauguração, como parte de uma estratégia de expansão do Universal Orlando Resort. Inicialmente, o desenvolvimento esteve concentrado em outras áreas da companhia, responsáveis pelo planejamento de parques, hotéis e atrações.
Alguns anos depois, o projeto passou a envolver mais diretamente as áreas de Marketing e Vendas, momento em que começamos a atuar de forma mais estruturada. Quando o conceito já estava definido e a fase de obras se aproximava, iniciamos o trabalho estratégico de comunicação e posicionamento. Minha participação foi mais ativa justamente nesse momento: no planejamento da estratégia de lançamento e na definição de como apresentar o novo parque ao mercado latino-americano, especialmente no Brasil, e, ao mesmo tempo, reposicionar o Universal Orlando Resort como um destino completo de férias, agora com a inclusão de um quarto parque temático.
2.Sabe-se que o novo parque da Universal levou uma década para ser concluído, entre projeto e execução. Quais foram os maiores desafios para tornar o Epic Universe realidade?
Existem alguns aspectos bastante relevantes nesse processo. O primeiro deles foi a necessidade de pensar a longo prazo. Estamos falando de um ciclo de cerca de dez anos entre planejamento, concepção, construção e lançamento. Outro desafio importante foi a gestão da comunicação. Trabalhamos com propriedades intelectuais extremamente fortes — como Harry Potter, Nintendo, How to Train Your Dragon e os clássicos monstros da Universal — que possuem bases de fãs muito engajadas. Era fundamental preservar o fator surpresa e manter um certo nível de confidencialidade.
Continua após a publicidadeAo mesmo tempo, havia um equilíbrio delicado: se anunciássemos o projeto com muita antecedência, correríamos o risco de impactar negativamente o fluxo de visitantes nos parques já existentes, já que muitos poderiam optar por adiar suas viagens. Portanto, foi essencial definir o momento adequado para gerar expectativa sem comprometer o negócio no presente. Além disso, enfrentamos um desafio global significativo durante o desenvolvimento do projeto: a pandemia. Houve interrupções nas obras, seguidas por uma retomada em um cenário de grande incerteza. Ainda assim, mantivemos o investimento e seguimos com o desenvolvimento. Sem dúvida, esse foi um dos momentos mais complexos ao longo dessa jornada.
3.Como avalia a receptividade do público e o impacto em Orlando neste primeiro ano de funcionamento?
O impacto foi muito além do esperado e ultrapassou o escopo do próprio Universal Orlando Resort. O Universal Epic Universe contribuiu de maneira significativa para transformar, literalmente, a paisagem de Orlando, e alçar o Universal Orlando Resort para um destino completo, com atrações e experiências que preenchem até uma semana de férias. Com a inauguração do quarto parque temático, aliado à expansão do portfólio hoteleiro – agora com 11 hotéis e 11 mil quartos – conseguimos oferecer uma proposta muito mais completa, com opções temáticas e categorias que atendem diferentes perfis de público e faixas de orçamento.
Do ponto de vista econômico, o impacto também foi extremamente relevante. Estimativas indicavam cerca de US$ 2 bilhões em movimentação econômica nos primeiros 12 meses de operação, além da geração de mais de 65 mil empregos, entre diretos e indiretos. Internamente, enxergamos o Universal Epic Universe não como um capítulo final, mas como o início de uma nova fase. Apesar de, para alguns, parecer o auge de uma trajetória, para nós representa apenas o começo de um novo ciclo de crescimento, com ainda muitas novidades por vir.
4.Embora o Epic Universe seja bem recente, sabe-se que o público é constantemente ávido por novas experiências. Já estão previstas mais novidades para a Universal nos próximos anos? Pode citar algumas?
Sem dúvida, mais novidades virão! É importante destacar que o Universal Epic Universe ainda está em sua fase inicial. Estamos apenas completando um ano de operação e há muitos visitantes que ainda não tiveram a oportunidade de conhecê-lo. A renovação constante e a inovação são pilares na indústria de parques temáticos. A Universal Destinations & Experiences continua investindo em novas experiências e atrações para manter a relevância de todos os destinos, tanto nos parques temáticos da América do Norte quanto nos da Ásia.
Já anunciamos, por exemplo, a Fast & Furious: Hollywood Drift, montanha-russa que abre esse ano no Universal Studios Hollywood, em Los Angeles. Essa mesma atração estará presente no Universal Studios Florida, em Orlando, já em 2027.Além disso, existem diversos outros projetos em desenvolvimento – alguns ainda em fase de confidencialidade – e outros já anunciados – como o parque temático que abriremos no Reino Unido – que reforçam nosso compromisso com inovação e expansão contínua.
Continua após a publicidade5.Os parques da Universal têm concorrentes pesos-pesados em Orlando, como a própria Disney. De que forma, a empresa da qual é vice-presidente se destaca? Qual é o grande diferencial da Universal?
Do ponto de vista de produto, nossos principais diferenciais são a capacidade de atender todos os perfis dentro de uma mesma família e competência de atendê-los de uma maneira muito inteligente, priorizando o descanso e a diversão em família. Ou seja, sem a necessidade de fazer reservas de atrações, ou mesmo tratar de burocracias durante as férias. Nossos parques temáticos e hotéis oferecem experiências variadas, garantindo que cada pessoa encontre algo que tenha conexão direta com seus interesses. Isso favorece experiências compartilhadas e fortalece o vínculo emocional criado durante a visita, algo que costuma permanecer ao longo do tempo. Eu costumo dizer que na Universal as pessoas não se divertem simplesmente com a família, e sim, como família.
Em termos de posicionamento, adotamos uma postura desafiadora dentro da indústria – costumamos dizer que somos uma “challenger brand”, aquela que se desafia e desafia também os concorrentes e a indústria de entretenimento como um todo. Buscamos constantemente inovar, tanto nas atrações quanto na experiência do visitante, incluindo o uso intensivo de tecnologia para simplificar a jornada e torná-la mais fluida. Outro diferencial importante é a integração do complexo. Nossos hotéis estão estrategicamente localizados próximos aos parques e oferecem benefícios exclusivos, como entrada antecipada aos parques, transporte gratuito e conveniente, a vantagem do Express Pass gratuito, em determinados hotéis, e outras facilidades operacionais. Além disso, a localização do complexo da Universal, em Orlando, é bastante privilegiada, com fácil acesso a shoppings, outlets e outras atrações, o que contribui para uma experiência completa. Essa combinação que faz o Universal Orlando Resort realmente único e diferente de tudo que há na cidade e na indústria de parques temáticos.
6.Como um executivo que está na empresa há mais de 25 anos, você já enfrentou vários momentos difíceis, como o atentado às Torres Gêmeas; a super alta do dólar no início dos anos 2000 e, mais recentemente, a pandemia. Qual foi o período mais difícil e por quê?
Ao longo da minha trajetória, enfrentei diferentes ciclos econômicos, o que é natural nesse setor. O importante é ter um norte, ter uma estratégia e seguir trabalhando com pensamento de longo prazo. E é isso que a gente vem fazendo no Brasil e na América Latina há muitos anos, com resultados muito positivos. No entanto, eventos inesperados e fora do controle tendem a gerar impactos mais profundos.
O atentado de 11 de setembro de 2001, por exemplo, teve um efeito imediato e significativo sobre o turismo para os Estados Unidos, gerando grande incerteza e retração nas viagens. Porém, nada se compara ao impacto da pandemia. Foi um período de incerteza global sem precedentes, em que não se sabia quando — ou como — as viagens seriam retomadas, nem como seria o comportamento do consumidor no futuro.
Ainda assim, o Universal Orlando Resort foi o primeiro complexo no estado da Flórida a implementar protocolos de saúde e segurança, que foram executados com excelência, e serviram como norte para os demais da indústria que foram também reabrindo seus negócios durante a pandemia. Sem dúvida, esse foi o momento mais desafiador da minha carreira nesses 26 anos de Universal. Exigiu resiliência e adaptação, mas também nos trouxe aprendizados valiosos.
Continua após a publicidade7.Hoje, não é novidade, existe uma rejeição por parte de muitos turistas ao governo de Donald Trump. Há, inclusive, brasileiros que dizem não ter vontade de ir aos Estados Unidos enquanto ele estiver no poder. Como vencer essa rejeição e atrair essas pessoas para os parques da Universal?
Existem fatores que fogem completamente ao nosso controle, como questões geopolíticas. Diante disso, nosso foco está naquilo que podemos efetivamente gerenciar: o produto e a experiência oferecida. Seguimos investindo continuamente para fortalecer a marca e garantir que o Universal Orlando Resort seja percebido como o centro das férias dos nossos visitantes.
Temos uma proposta de valor sólida e consistente, capaz de se sustentar independentemente desses fatores externos, mantendo a atratividade do destino. Afinal, o Universal Orlando Resort oferece quatro parques temáticos maravilhosos e sabemos que os brasileiros amam a Universal, e já entenderam a amplitude de atividades, atrações e experiências que temos a oferecer, e estão desfrutando de tudo isso, fazendo do complexo da Universal o centro das suas férias em Orlando.
8.Entre os principais mercados emissores de visitantes da América Latina para os quatro parques da Universal estão a Argentina, o México, a Colômbia e, em primeiro lugar, o Brasil. Como classificaria o público brasileiro que visita os parques? Qual o seu diferencial?
O público brasileiro é extremamente relevante e apresenta características bastante particulares. De modo geral, é um visitante que permanece mais tempo no destino, o que permite uma experiência mais completa, incluindo a visita a todos os parques. Esse maior tempo de permanência também se reflete no ticket que é comprado, com a preferência pelo All Parks Ticket, um ingresso que dá flexibilidade ao visitante, permitindo acesso aos 4 parques temáticos da Universal durante todo o período de férias (máximo de 14 dias consecutivos), quantas vezes o visitante quiser.
Essa estadia mais longa também se reflete no nível de consumo, já que os visitantes tendem a aproveitar ao máximo a experiência, incluindo compras de souvenirs e outras atividades dentro do complexo. Esse comportamento diferencia o brasileiro da média internacional e reforça sua importância estratégica para o negócio.
9.Existe a possibilidade da Universal Destinations & Experiences investir na construção de uma “filial” na América Latina? Com um público fiel e amante de parques temáticos, o Brasil está no radar para um projeto desse porte?
Atualmente, nosso foco está direcionado a expansões regionais aqui nos Estados Unidos. Ainda esse ano vamos abrir o Universal Kids Resort, um novo conceito de parque temático voltado para famílias com crianças pequenas, com inauguração em Frisco, no Texas. Um projeto que nos deixa muito animados, já que começaremos a construir uma nova base de fãs, que vão crescer com as atrações e personagens presentes nos parques da Universal.
Continua após a publicidadeAlém do novo parque, abrimos recentemente o Universal Horror Unleashed, uma experiência de terror permanente em Las Vegas, que é inspirada no nosso mundialmente famoso Halloween Horror Nights. Além disso, estamos investindo na construção do nosso primeiro complexo na Europa, no Reino Unido, com previsão de entrega até 2031. No momento, essas são as prioridades da companhia.
10.Você chegou a um dos mais altos cargos do entretenimento mundial. Qual o segredo para uma carreira de sucesso e como se manter nela por tanto tempo?
Uma carreira sólida é resultado de anos de trabalho intenso, de dedicação genuína e de um compromisso profundo com tudo o que construímos dentro da companhia. Mas, acima de tudo, eu acredito muito que ninguém chega ao sucesso sozinho. Ao longo dessa jornada, tive o privilégio de trabalhar com líderes incríveis, que foram grandes inspirações para mim. Pessoas que me ensinaram, desafiaram e ajudaram a moldar a minha visão de liderança. Esse aprendizado constante foi fundamental para me trazer até aqui.
Se existe algum segredo, ele certamente está na construção de uma equipe extraordinária. Um time do mais alto nível, que me acompanha ao longo dos anos, que entende profundamente a nossa estratégia para a América Latina e que a executa com excelência – seja nos escritórios de Orlando, Brasil ou México. Juntos, conseguimos não apenas colocar essa estratégia em prática, mas também elevar a importância da nossa região dentro do negócio como um todo. Hoje, a América Latina não é apenas um mercado relevante emissor de turistas e, sim, um verdadeiro motor de crescimento para a companhia. Esse mérito é coletivo.
Eu não teria condições de entregar nada disso sozinho. Essa trajetória é construída em conjunto, o que também contribui para a longevidade em uma posição de liderança. E poder fazer parte disso por tanto tempo é, sem dúvida, um dos maiores privilégios da minha carreira.
Siga também no Instagram o perfil @omundodesofia_cerqueira Com o olhar cultivado em redações por mais de 30 anos, convido você a viajar pelo mundo, por aqui. Nesse amplo e diversificado roteiro, cabem um destino encantador, uma suíte especial, uma experiência única, uma curiosidade do setor e tudo mais que possa instigar quem está de malas prontas ou sonha em pôr o pé na estrada.
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Fonte base da analise: VEJA. Atualizacao da fonte em 02/06/2026 16:40.